[Resenha] O Hospital Hostil

O Hospital Hostil - Lemony Snicket

O Hospital Hostil - Lemony Snicket
Desventuras em Série - Livro 08
Sinopse - Editora Seguinte - 2004 - 232 páginas



“O Hospital Hostil” é o oitavo livro de “Desventuras em Série” e o mais diferenciado até agora. Os irmãos Baudelaire estão sendo procurados pela polícia como culpados pelo assassinato do Conde Olaf, o vilão, que está vivo e mais determinado que nunca, por isso não podem contar com a ajuda de ninguém que tenha lido o jornal onde a foto deles foi publicada.

Abandonados por Sr.Poe e sem nenhum tutor ou casa onde morar, eles acabam se juntando a um grupo de cantores denominados Combatentes da Saúde do Cidadão, e vão trabalhar num hospital como voluntários, logo conseguem um cargo na biblioteca de registros, onde tem a esperança de descobrir mais sobre sua família e entender algumas pistas que conseguiram nos volumes anteriores.

A vida dos Baudelaire logo é atrapalhada por personagens que conhecemos há tempo, os órfãos terão que procurar pistas em segredo (já que é proibido ler os arquivos da biblioteca) e fugir dos vilões que os procuram. Mais uma vez, a vida deles ficará em perigo e outros mistérios surgirão.

O clima da história foi super bem construído e agora todas as cenas são acompanhadas de tensão, várias teorias estão sendo criadas na minha cabeça e a curiosidade está nas alturas. O narrador está cada vez mais misterioso, ele esconde mais do que revela e muitas das coisas que diz me deixam apreensiva sobre o futuro dos Baudelaire.

Este livro foi bem diferente dos outros desta série, pois Olaf inovou no disfarce (se é que posso chamar assim), mas quem caprichou mesmo na hora de fingir ser outra pessoa foram Klaus e Sunny, que usaram a inteligência para se safarem dos capangas do vilão. O final foi muito emocionante e como sempre me agradou demais, me deixando morrendo de pena dos irmãos.

Desventuras em Série


9. O Espetáculo Carnívoro
10. O Escorregador de Gelo
11. A Gruta Gorgônea
12. O Penúltimo Perigo
13. O Fim

Vasculhando em quotes


Vasculhando em quotes se trata de vasculhar um livro e separar quotes relativos a alguns assuntos (sem spoilers), para dar a vocês uma noção do clima da história através dos detalhes - aparentemente superficiais - que fazem toda a diferença no contexto geral.

Cenário


“A fachada da loja estava coberta de cartazes desbotados anunciando o que estava à venda, e sob a luminosidade fantasmagórica da meia-lua os Baudelaire conseguiam ver que limas frescas, facas de plástico, carne enlatada, (...) aquários com peixinhos dourados, sacos de dormir, figos secos (...) e muitas outras coisas estavam disponíveis no armazém.”

“Havia prateleiras de aspargos enlatados e estantes de canetas-tinteiro, ao lado de barris de cebolas e caixotes cheios de pena de pavão. Havia utensílios de cozinha pregados nas paredes e candelabros pendurados no teto (...)”

“O lado esquerdo do hospital era uma lustrosa estrutura branca, com uma fileira de altas colunas e pequenos retratos esculpidos de médicos famosos acima de cada janela.”

Moda


“Estava usando dois sapatos diferentes, cada um com uma etiqueta de preço, e uma porção de camisas e chapéus ao mesmo tempo.”

“Esta noite ela estava usando um casaco comprido feito com as peles de diversos animais (...), e carregava uma bolsa com a forma de um olho (...)”

“Os parceiros de Olaf lhe tinham vestido um avental branco, tão imundo quanto os lençóis (...)”

Culinária


“Os Baudelaire não tinham comido nada desde que saíram da cidade, e caíram matando, uma expressão que aqui significa ‘comeram até a última migalha’ dos bolinhos.”

“(...) uma pequena sala que uso para guardar minhas frutas. Se vocês ficarem com fome durante o dia, podem se servir de alguma coisa daquela tigela.”

“(...) estava fazendo seu famoso glacê de requeijão cremoso, o qual seria espalhado numa camada espessa em cima do bolo.”

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Seguinte.
Aguardamos seus comentários! Beijos...

Correio Passional #74

Olá Amigos Passionais!! Estou um pouco atrasada pra mostrar as fotos dos livros recebidos em agosto, mas nunca é tarde para isso, não é mesmo? Os livros são cortesia das editoras parceiras Arqueiro, Seguinte, Suma, Quadrinhos na Cia e Harlequin. Confiram como são lindos:

Editora Arqueiro






Editoras Seguinte, Suma e Quadrinhos na Cia












Editora Harlequin





Curtiram? Comentem! Beijos...

[Resenha] It: A Coisa

IT: A COISA - Stephen King

It: A Coisa - Stephen King
Sinopse - Editora Suma - 2014 - 1104 páginas


“It: A Coisa” não é apenas uma história de terror, trata-se de uma aventura inigualável sobre “ritos de passagem”, amizade, companheirismo, confiança, amor, fé e perseverança, protagonizada por um grupo de adolescentes “apaixonantes”, que unidos por um amor incondicional enfrentam seus piores medos, numa batalha mortal contra um maligno ser: “a Coisa” [Pennywise, o Palhaço Dançarino].

“Ninguém que morre em Derry morre de verdade. Você já sabia disso antes; pode acreditar agora.”

Ambientada na cidade de Derry, Maine, a trama envolve um pacto de sangue feito pelos sete protagonistas: Bill, Eddie, Ben, Beverly, Richie, Stan e Mike no verão de 1958. A  Narração é feita sob o ponto de vista de Mike [único integrante do grupo que ainda vive em Derry] e tem início em 1984, quando um terrível fato ocorre na cidade e na sequência crianças começam a desaparecer. Mike sabe “o que” está fazendo “isso” e também que precisa fazer seis telefonemas:

“- J-Jurem pra m-mim que vão v-v-v-voltar – diz Bill - Jurem pra mim que , se a C-Coisa não estiver m-morta, vocês vão vo-oltar.”  

Conforme eles são avisados por Mike, vislumbramos as personagens em sua versão adulta, percebemos que suas memórias estão borradas, no entanto cada um deles lembra-se do pacto e simultaneamente ao aviso deixam tudo para trás e seguem para Derry – alguns deles enfrentam conflitos tennnnnsos pela decisão abrupta, mas em 24hs partem de pontos diversos do país com destino ao Maine, mesmo sabendo que talvez não retornem jamais.

“- Ele soca postes de montão e insiste que vê assombração!”

Logo pensamos: “O que será que aconteceu no verão de 1958 a ponto destes “adultos” largarem suas vidas “normais” e “bem sucedidas” para embarcar numa viagem louca  rumo a uma promessa feita no passado?”. King explica, hahaha! Na Parte 2 e 4 voltamos a Derry no verão de 1958 e descobrimos como cada um deles viu “a Coisa” e como “Ela” apresentou-se de modo diferente a cada um deles de acordo com seus medos, mas também como deixou uma pista como “Pennywise”, que sugere uma ameaça direta a eles do tipo “não se metam nos meus negócios”.

Nos aprofundando nos segredos de Derry, descobrimos porque eles tornaram-se tão ligados naquele verão a ponto de criarem o clube dos otários, vamos conhecer seus inimigos em comum: Henry, Arroto, Victor e Patrick [e a apocalíptica guerra de pedras] suas dúvidas, suas angústias secretas, seus medos, suas paixões, seus sonhos;  nos divertir com suas façanhas, gargalhar com seus trocadilhos, temer e torcer por eles, admirar sua coragem, nos encantar com sua inocência, mas sobretudo com sua determinação e fé cega no bem, logo vemos porque aquele foi o pior e o melhor verão de suas vidas.

“E agora, agora que não acreditamos mais no Papai Noel, na Fada do Dente, em João e Maria, nem no Troll debaixo da ponte, a Coisa está pronta para nós.”

O livro está dividido em 5 partes, ao final de cada uma há um interlúdio em que Mike relata as lendas de Derry e de como “a Coisa” está vinculada ao passado sangrento da cidade, a cada um desses episódios cronológicos o leitor vai desvendando a essência cíclica do ente maligno que devora crianças como uma espécie de ritual. Genial a habilidade de King de nos infiltrar na história dentro da história, a fim de buscas respostas ao mistério proposto no enredo.

A parte 3, reencontro de Bill, Eddie, Ben, Beverly, Richie e Mike é repleta de surpresas, juntos novamente depois de 27 anos eles são abarcados por inúmeras memórias, velhos hábitos juvenis retornam e assombrados redescobrem uma vitalidade que acreditavam ter perdido, reencontram juntos a força que os uniu no passado: a fé e o amor, pois no final o verdadeiro amor nunca acaba e a fé está na alma. Como “a Coisa” só tem poder contra eles quando estão separados, maliciosamente, os afrontará individualmente e trará a tona seus medos infantis, numa alusão à criança interior tantas vezes ofuscada no adulto. Eles terão que lutar com seu subconsciente, sensacional.  

“Fomos fundo juntos.
Fomos até as trevas juntos.
Será que sairíamos das trevas se fôssemos uma segunda vez?” 

Quando chegamos na parte 5, Ritual de Chud, por volta de 900 páginas, já nos sentimos órfãos do “clube dos ótarios”, só faltam 191 páginas para acabar e o ritmo é alucinante:

“Voltem, diz a Coisa. Voltem, vamos terminar nosso assunto em Derry. Tragam seus jogos da bugalha, suas bolas de gude e seus ioiôs! Vamos brincar! Voltem e vamos ver se vocês lembram da coisa mais simples de todas: como é ser criança, segura na crença e, portanto, com medo do escuro.”

Enfim é isso mesmo, será a criança interior que eles terão que evocar para vencer “a Coisa” numa batalha visceral, inconsequente e sem limites do tipo: - Querida, quantas vezes já te disse pra não deixar as crianças brincarem no sistema de esgoto da cidade? Hahahaha! E aí, de que cor vai querer seu balão?

“Aqui embaixo todos flutuamos.”
Até “a Coisa”.

Ultra mega perfeito.

Essa leitura foi uma cortesia do Grupo Companhia das Letras.
Aguardamos seus comentários! By.:.

[Resenha] Uma Noite Inesquecível

Uma noite inesquecível - Lisa Kleypas

Uma Noite Inesquecível - Lisa Kleypas
Série As Quatro Estações do Amor - Livro 4,5
Sinopse - Editora Arqueiro - 2017 - 144 páginas


“Uma Noite Inesquecível” é um spin-off da série “As Quatro Estações do Amor”. O protagonista desse conto natalino é Rafe Bowman, um americano cuja família enriqueceu atuando no ramo industrial, ocasião em que seus pais voltaram os olhos para a Inglaterra, no intuito de galgar os degraus da escala social, unindo os filhos a aristocratas ingleses.

Lilian Bowman atingiu o objetivo dos pais ao desposar lorde Westcliff num casamento por amor, vocês podem conferir sua história em “Era uma vez no Outono”, e Daisy Browman também conseguiu agradar aos pais, mas principalmente a si mesma, casando-se com Matthew Swift em “Escândalos na Primavera”. Mas Rafe nunca conseguiu satisfazer o pai, cujo patamar de exigência parece além de seu alcance, no entanto, para botar as mãos em uma parte da empresa que está disposto a controlar, ele aceita cortejar Natalie Blandford, uma inglesa bem nascida que traria ainda mais status à sua família.

Hannah Appleton é a prima pobre de Natalie, sua dama de companhia e ferrenha defensora. Seu maior desejo é que a amiga obtenha um casamento feliz, e isso seria impossível ao desposar um grosseirão americano, mesmo que ele seja inexplicavelmente atraente e beije de forma escandalosamente deliciosa! Para decepção de Hannah, Natalie fica tão encantada com a aparência de Rafe quanto pelo saldo de sua conta bancária e leva o jogo de conquista adiante. O que nenhuma das duas percebe é que Rafe está mais intrigado com Hannah do interessado que pela dama que deveria realmente cortejar.

Achei comovente perceber como Rafe se apaixona por Hannah sem que ela faça qualquer movimento para seduzi-lo, sendo simplesmente a pessoa que é, e também como Hannah se apaixona por Rafe, vislumbrando o verdadeiro homem que há por trás de uma faixada de fanfarrão conquistador.

Pelo fato dessa história ocorrer na mansão de Westcliff, durante os preparativos para o Natal, e por todos os personagens serem nossos “velhos” conhecidos, esse conto nos transmite uma sensação intimista, festiva e aconchegante. Amei rever as amigas Annabelle, Evie, Lillian e Daisy em ação, e como elas agem!!! Principalmente quando se inteiram do que obviamente está acontecendo entre Hannah e Rafe e resolvem dar uma mãozinha (ou seriam oito mãozinhas) ao propenso casal.

Adorei certa carta de amor chamuscada, lida num determinado momento da história, constituindo uma das declarações de amor mais lindas e quentes que eu já encontrei em livros do gênero! Essa foi uma leitura rápida e deliciosa, ótima para matar saudades dos personagens da série “As Quatro Estações do Amor” e conhecer mais um casal adorável, com uma história de amor linda e romântica, como todas criadas pela querida Lisa Kleypas.

Amei e recomendo!

Série As Quatro Estações do Amor




Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro
Aguardamos seus comentários! Beijos...

[Resenha] Jane Austen roubou meu namorado

Jane Austen roubou meu namorado - Cora Harrison

Jane Austen roubou meu namorado - Cora Harrison
Sinopse - Rocco Jovens Leitores - 2017 - 288 páginas


“Jane Austen roubou meu namorado”, de Cora Harrison, é um romance de época juvenil que conta a história da conhecida autora Jane Austen em sua adolescência, a obra é baseada na vida dela, com pessoas que realmente existiram. Narrado em primeira pessoa pelos relatos de Jenny (prima de Jane) em seu diário, é uma história leve e divertida.

Jenny quer se casar com Thomas, mas enfrenta dificuldades em obter o consentimento de seu irmão mais velho, responsável por ela. Jane, por outro lado, não tem nenhum pretendente em mente, dança com alguns rapazes, mas não sente nada a mais por eles e muitas garotas tem raiva de Jane, já que os garotos só dão atenção a ela.

Na história aparece bastante a família das garotas, que é bem grande. No começo tive um pouco de dificuldade em diferenciar os nomes e relacioná-los às pessoas, mas durante a leitura me acostumei com todo mundo.

Jane foi uma personagem muito interessante, conseguia transformar tudo em uma história. Sua empolgação com os acontecimentos da vida real deixava tudo mais legal, as minhas partes preferidas foram quando ela disse que um dia seria uma grande escritora e quais elementos gostaria de ter em seus livros. Jenny já era mais quieta que a prima, mas as duas não se desgrudaram em nenhum momento. Porém meu personagem favorito do livro foi Harry Digweed, um garoto que fez de tudo para ajudar as amigas.

“(...) ela (Jane) puxou a escrivaninha embutida na cômoda, mergulhou sua pena no tinteiro e imediatamente começou a escrever. É incrível como ela cria rápido suas histórias. É bem diferente relatar coisas que aconteceram (...), mas ela precisa inventar e, mesmo assim, faz isso com muita rapidez.”

Confesso que no começo achei o enredo bem parado, contudo a história melhorou muito depois da metade, poderiam ter acontecido mais coisas para deixar a trama mais dinâmica, mas a leitura fluída ajudou bastante.

O final foi muito bom, aconteceu o que eu queria que acontecesse! Também curti bastante a nota da autora, onde ela revela qual parte da obra foi baseada em fatos reais (na vida da Jane Austen mesmo) e quais fatos foram inventados para incorporar à trama.

É um livro bem bacana para jovens que nunca leram romances de época e querem ter uma primeira experiência com o gênero, é legal conhecer alguns dos costumes do final do século XVIII e início do século XIX, como os bailes eram importantes para as garotas mais novas, quais tecidos eram usados nos vestidos e como as cartas constituíam o principal meio de comunicação.

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Rocco.
Aguardamos seus comentários! Beijos...