[Resenha] Na Teia do Morcego

Na teia do morcego - Jorge Miguel Marinho

Na teia do morcego - Jorge Miguel Marinho
Editor Gaivota - 2012 - 256 páginas

Sinopse: Se o herói desta inquietante narrativa é ou não o mesmo Batman das histórias em quadrinhos, este é o grande desafio para o leitor. Será que o conhecido Cavaleiro das Trevas se mudou para o centro de São Paulo e, por razões íntimas, não pretende retornar a Gotham City? Neste livro ele revela a sua máscara mais humana e vive uma aguda crise existencial: ser ou não ser herói.
Pode ser ele o assassino de Abigail Aparecida Chaud ou qualquer um dos outros personagens que são flagrados por uma luneta cruel e formam um painel, vivendo na atmosfera agitada e penumbrosa de uma metrópole igualmente cruel. Jovens curiosos, velhos solitários, pessoas desvalidas, seres entusiasmados e tantos outros, todos eles são suspeitos do crime e vítimas da existência pelo simples fato de existir.
Quem narra também se esconde numa “teia” dos mais diversos meios de comunicação: cartas, diário, telefonemas, telegramas, internet, gravações, notícias de jornal, de rádio, de televisão e até uma ata de condômino. E o leitor é convidado e convocado a entrar na história e agir.


Humor e mistério na dose certa!
De Gotham City from Brazil:

“Eu sou o cavaleiro das trevas e a cara da lei ganhou outro nome para sempre. O meu nome: Batman!”

Será? Quem matou Abigail Aparecida Chaud?

“... Agora, no duro mesmo, certeza eu não tenho. Pra dizer a verdade, eu acho que todo mundo tinha uma fissura de matar a Abigail. Até podia ser eu, vai saber, mas eu não morava ainda por aqui. Pensando bem, nem o André tá fora dessa. Sabe aquele amarelo dele? Bruxaria dela, meu! (KLOÓCT)”

Na teia do morcego, é uma "HQ de palavras", imagens codificadas pelos signos vão surgindo a cada parágrafo, brincando com nossa imaginação. Os sons são audíveis:

“CRUNCH CRUNCH CRUNCH”
“TCHCLICK VAPT KLOÓCT”

Diálogo seco, direto, cáustico, entre a prosa e a narração em estilo “noir”, própria dos contos policiais; Humor satírico, negro às vezes, nos diverte e envolve, deixando claro que o autor, Jorge Miguel Marinho, é sem dúvida um mestre das palavras.

A “Teia”, equivale a todos os meios de comunicação escrita, que ele criativamente explora no decorrer da trama, que repito, é muito divertida, leve, fluída e progressivamente, a cada página, aguça a curiosidade de penetrar mais e mais no mistério que envolve a morte de Abigail.

Os telefonemas anônimos são sensacionais, as ligações entre os condôminos tem momentos hilários, o ritmo que o autor estabelece entre as formas de comunicação é perfeito.

Desde a capa, já podemos perceber que Jorge Miguel é um mago das letras, paisagens gráficas ilustram a cidade, do amanhecer à noite profunda, pois, é no devaneio que o autor quer nos lançar, quando nos convida para passear por telhados, parques, ruas e becos escuros, do centro velho de São Paulo, que remete mesmo, à boa e velha Ghotam City dos HQ.

O livro é uma obra de arte, as cores das páginas relacionam-se ao conteúdo e à personalidade de determinadas personagens, bem como as fontes utilizadas, modificando-se mediante a visão “colour” gráfica das emoções. 

As personagens são esteriótipos da vida real, todos com bipolaridades e segredos, que vamos desvendando, seja através da “teia” ou da luneta, que fica no apartamento em frente ao condomínio “Luz del fuego”, olha o nome do lugar!

São nestas imediações, que encontramos “Batman” e Hermann, que não é Robin, e descobrimos seus mais íntimos segredos, ao desfrutar da leitura do diário de um, e das gravações confidenciais do outro. 

Na teia também tem romance: no diário, as confissões íntimas de Batman e seu amor platônico por uma mulher idealizada; nas gravações, o indiscreto Hermann, humoristicamente, faz revelações da vida secreta de todos os condôminos, do Batman e, não poupa nem sua própria intimidade, ao relatar suas aventuras, desventuras, fantasias e seu hot romance com Dede.

Somente nas últimas paginas os mistérios serão revelados, com um desfecho surpreendente e absolutamente criativo, tem até outro crime nos momentos finais da trama, cuja solução, remeteu-me ao fabuloso conto de Hoffmann “O homem de areia”, contudo, a grande sacada é a descoberta do assassino, nada óbvia, mas genial, que nos leva a crer que nada é o que parece ser. 

Enfim, quer divertir-se, dar boas risadas, descontrair, testar seus dons de Sherlock Holmes? Esse é o livro, amei tudo nele, principalmente a Xaxá.

Me diverti Muito!
Interessantíssimo!
Super recomendo!

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Gaivota.
Aguardamos seus comentários! By.:.

6 comentários

  1. Parece se tratar de uma história bem bizarra e eu adoro bizarrices, principalmente em livros e filmes. Vou anotar no meu caderninho.

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  2. Olá Rosem!

    Nossa, que estória, hein? Contém todos os ingredientes necessários para nos amarrar a estória, deve ser ótimo mesmo! Só não gostei muito da capa... não achei atrativa, ainda que tenha algum sentido com as palavras.

    Beijos,

    Marcelle
    bestherapy.blogspot.com

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  3.  Olá Marcelle,

    Então, eu também olhei a capa com um pouco de descaso, ai observei melhor e vi que eram ilustrações grafadas com letrinhas , genial, cenários graficos, sou meia geek, amo isso, but, isso é detalhe, as personagens é que são totalmente d+, eu gargalhava sozinha, todos eles são culpados e são doidinhos, vc se diverte, é gostoso de ler, é uma brincadeira anti stress, total light, o que tem a capa de discretinha tem o conteúdo de indiscrição, se tiver oportunidade, dê uma folheada e pegue os trechos das ligações telefonicas a verá o que digo.

    Beijos

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  4.  Oi Cris,

    Pode anotar , me surpreendi com a teia, esperava tudo menos que fosse tão doido como foi, amei o book.

    Bjus!

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  5. Renata (do blog Escuta Essa)21 de setembro de 2012 02:27

    Oi Elis,

    Que bacana esse livro, caramba, fiquei bem interessada em ler essa obra!
    A capa é muito boa e criativa!
    Gostei muito da sua resenha!

    Beijinhos
    Renata 
    Escuta Essa

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  6.  Oi Renata,

    No interior tem ilustrações gráficas geniais que vão pontuando os climas, a leitura é pura descontração, me diverti demais com as personagens, impossível ficar imune a trama, ja estou de olho em outras obras do autor e tem várias, confira !

    Bjks!

    Rosem.

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