[Resenha] A Passagem

A Passagem, de Justin Cronin

A Passagem - Justin Cronin
Trilogia a Passagem - Livro 01
Sinopse - Editora Arqueiro - 2010/2013 - 816 páginas


“Esta é a história de vampiros que você não pode perder: 15 páginas são suficientes para cativá-lo; depois de 30, você se descobrirá prisioneiro, lendo noite adentro. Um livro com a força dos épicos.” - Stephen King. Ahhhh! Vocês vão dizer, mais uma historia sobre vampiros... Negativo, Stephen blefou, essa é uma historia sobre pessoas extraordinárias e é fascinante.

Estava a navegar, e vi a capa do livro no site da Arqueiro, foi paixão à primeira vista, me transportei floresta de pinheiros adentro; ao vivo, o título é em prata e o céu estrelado acima, remete a muitas “passagens” na trama, minha intuição dizia que o conteúdo era muito bom, vejamos se quem vê cara, pode pressentir o coração:

“Antes de se tornar a Garota de lugar nenhum – Aquela que surgiu, A Primeira, Última e Única, a que viveu mil anos – ela era apenas uma menininha de Iowa chamada Amy...” 

A sinopse sinaliza perfeitamente o cenário, em uma dessas experiências científicas militares, onde pretende-se criar o super soldado, 12 criminosos condenados à morte e uma criança órfã, Amy, são usados como cobaias, e infectados com um vírus que lhes confere força sobre humana e capacidade de regeneração, mas causa como efeito colateral hipersensibilidade à luz, insaciável sede de sangue e comportamento animalesco. 

Vampiros! Não, esses são muito maus, serão chamados Virais, vampiros são bonzinhos lembra? Hehehehe! Ocorre que, por uma quebra de segurança, essas criaturas libertam-se e invadem o país, quiçá o planeta, reduzindo a população humana à condição de contaminados pelo vírus e sedentos por sangue, restando aos poucos sobreviventes humanos, fugir e esconder-se em lugares isolados. 

Na parte I do livro, conheceremos o “mundo de Amy”, suas origens e os fatos que irão preceder a catástrofe apocalíptica que praticamente dizima a humanidade. Neste “mundo de antes”, o autor nos apresenta suas personagens com riqueza de detalhes psicológicos, a ponto de validar seus atos, mesmo os mais mesquinhos e bizarros, como característicos da natureza humana, nos colocando antes a par de seus motivos, para que só então possamos julgá-los. 

E assim, vamos caminhar na alma de Jeanette, Lear, Lacey, Carter, Wolgast, Doyle, Sykes, Grey, Richards. Sim, é uma longa e surpreendente viagem ao inconsciente dessas pessoas, que nos faz, a cada capítulo, olhar a realidade como uma charada onde nada é o que parece ser. 

“Um gato dormindo na escada não estava dormindo de verdade. Era uma mola encolhida à espera de um camundongo distraído.” 

São personagens complexas, diante da dualidade exposta entre seus sentimentos internos e os atos que praticam, no entanto é em Brad Wolgast que o autor vai situar a possibilidade de transformação pessoal, aqui é ele o protagonista de um mundo que deixará de existir. 

“Nunca sentira nada assim, com uma clareza tão grande e tão súbita. Toda a sua vida parecia convergir para uma única coisa, para esse propósito. O resto – o FBI, Sykes, Carter e os outros, até mesmo Doyle – era uma mentira, uma cortina atrás da qual seu verdadeiro eu havia se ocultado, esperando para se revelar. O momento havia chegado. Ele só precisava seguir os seus instintos.” 

Então como uma bomba relógio, a partir deste ponto de virada, a trama desenvolve-se em uma expansão de ação das personagens, antes em gestação, trazendo à tona tanto o seu melhor quanto o seu pior, tudo foge ao controle, tensão absoluta, e nós devoramos as páginas. 

“Aconteceu depressa. Trinta e dois minutos para um mundo morrer e outro começar a nascer.” 

O ano Zero, na parte II, é a licença poética do autor para falar do amor verdadeiro, o incondicional, aquele que os pais sentem por seus filhos, o amor que zela e protege, o amor de Brad Wolgast por Amy. 

Da parte III em diante, o mundo estará dominado por “Virais”, relatos descrevem o que aconteceu com a humanidade, o fragmento de um antigo diário descreve os fatos que sucederam a quarentena e, como os sobreviventes fundaram uma cidade nas montanhas, cercada por muralhas e potentes holofotes. Essa comunidade, 92 anos após o incidente, nomeou os virais de saltadores ou fumaças, e como eles brilham, os equiparam às estrelas – estrelas que caem. Estrelas que temem a luz, assim é a luz forte que os protege, pois apaga as estrelas, inclusive as do céu. 

É neste cenário que iremos conhecer o grande protagonista deste segundo ato: O Guardião, Peter Jaxon, descendente de uma das famílias sobreviventes e, mais uma nova gama de incríveis personagens: Sara, Michael, Theo, Titia, Mausame, Hollis, Arlo, Caleb, Alicia e muitos outros, ainda que paralelos, irão dividir o espaço com Amy a mola propulsora da ação e tem muuuuuuita ação daqui pra frente. 

Eles lutam a princípio pela proteção da colônia, mas no decorrer dos acontecimentos surgirá o estarrecedor Babcock, e eles irão lutar pela sobrevivência de sua espécie. 

Com exceção de Titia, que é uma guardiã de histórias do mundo de antes, eles são jovens, belos, valentes, e juntos irão compartilhar a descoberta do amor, do passado, de segredos, amores platônicos, romances secretos, abnegação, lealdade, coragem, confrontos audaciosos e fugas espetaculares: 

“Alicia e ele rolaram para a lateral da plataforma de descarga quando a porta voou por cima de suas cabeças, trazendo uma onda de pressão e fogo... Tudo que tinham eram as facas e as cinco granadas no cinto de Alicia. Mas talvez Amy e os outros ainda estivessem vivos, em algum lugar. Precisavam ao menos tentar.” 

Ao ler a última linha das 816 páginas do livro A Passagem, primeiro tomo da trilogia de Justin Cronin, me veio à lembrança uma citação do escritor Richard Bach“O laço que une a sua família verdadeira não é apenas de sangue, mas de respeito e alegria pela vida um do outro. Raramente os membros de uma família se criam sob o mesmo teto.” 

São esses os laços que o autor apropria-se, desde o início, querendo nos fazer crer que é sobre a fragilidade humana a trama, para só no derradeiro suspiro nos mostrar que o enredo trata-se de: Comunhão, resistência, superação e força. 

Magnífico! Li noite adentro, e ainda estou trilhando essa jornada épica futurista, pois a batalha continua em 2013, com o lançamento de Os Doze, livro 2 da trilogia!

Trilogia A Passagem



A Cidade dos Espelhos (2016)


Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro.
Aguardamos seus comentários! By.:.

20 comentários

  1. Rosem, essa resenha ficou incrível =D
    Estou quase parando tudo por aqui e entrando na Passagem...
    Preciso ler esse livro antes de lançarem o 2º!
    Beijos, minha amiga... Elis Culceag.

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  2. A história parece ser muito boa também. Confesso que estava meio indecisa sobre esse livro, mas, pela sua resenha, fiquei animada!!

    Uma braço
    Lu Zuanon 

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  3. Sem palavras uma trilha a seguir que com certeza Justin CRonin vai impressionar a todos.
    Se a Rosem Ferr seguiu noite adentro lendo  A Passagem imagino os demias a seguir.

    E tocar nos laços de família que são tão fortes deve ser surpeendente esta leitura.

    Beijos

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  4. Nossa, eu não imaginava que tinha tanta história nesse livro, parece ser realmente bem interessante e diferente. Eu, ao contrário de você, não me senti atraída pela capa, e consequentemente, não dei uma chance a leitura, mas depois dessa resenha, minha opinião mudou. Beijos

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  5. Puxa, Elis, eu já tinha visto esse livro em algum lugar, mas a capa não tinha me chamado atenção o suficiente para que eu quisesse saber mais sobre ele.... Parece muito bom! Acho que estou precisando de uma leitura mais fantasiosa, de aventura... Gostei da dica!

    Um beijo,
    Náh
    http://lerdormircomer.blogspot.com.br/ 

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  6.  Oi amiga,

    Nossa agenda esta lotada Hein ? Mas quem sabe vc consegue umas madrugadas livres para entrar na passagem, com um pouco daquele coquetel da galera do True blood, com muito gelo.  hehehe!
    Bjsssss

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  7.  Oi Lu,

    A historia é ótima,  muito plausível, e já dizia o Stephen King, tanto mais próxima da realidade, mais nos envolvemos com a trama, a transição de um mundo para o outro é perfeita, e as personagens são apaixonantemente inexquecíveis. Pode conferir.

    Beijos 

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  8.  Oi Cherry,

    Voce imagina que rapport tive com essa questão dos laços de familia, tinha acabado de ler a passagem e me veio a frase do Richard Bach, do livro Ilusões, tamanha a impressão de união e sentimento que o autor nos transmite através de suas quase palpáveis personagens. Creio que os Doze surpreenderá ainda mais. Vamos conferir.

    Beijos

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  9.  Oi Paty,

    Tem muita história, o Cronin é sem dúvida um contador de histórias master, são muitos personagens em um caleidoscópio de sentimentos que uau! É ler para crer.
    Por hora Cronin esta entre meus favoritos, Aguardo pelo Os Doze para conferir.

    Beijos!

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  10.  Oi Inara,

    Aproveite, pode embarcar nesta aventura, a viagem será em 1ª classe.

    Beijos!

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  11. Eu não costumo escolher livros pela capa, mas devo confessar que essa é maravilhosa. Fui ficando super entusiasmada ao longo da resenha até receber, como uma ducha de água fria, a informação de que se trata de uma trilogia. Eu vou deixar o nome anotado e só volto a me interessar por ela quando estiver completa, ficarei na expectativa de quando o terceiro livro será lançdo, já que o segundo já tem previsão para dezembro, mês do meu aniversário.

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  12. Elis, eu achava que era um livro religioso, não sei de onde tirei esta ideia.
    É uma distopia de vampiros?  Eu gostei demais do enredo, do tamanho e saber que é uma saga, não resisto quando são vários livros, ficamos mais tempo com bons personagens.

    Tento fugir mas não dá!

    Bjos!!

    Cida

    Moonlight Books

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  13. Ao ver a capa pensei que o enredo era totalmente diferente, daquilo que você resenhou; Gostei da trama apesar de achar ele um pouco longo.
    *bye*
     
    Louca por Romances

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  14. Oi Rosem! Oi Elis!
    Adorei a resenha :)
    Juro que, olhando a capa, me lembrei do livro A cabana e tava esperando uma história parecida.
    Fiquei surpreendida pelo enredo e tô bem curiosa para ler. Parabéns pela resenha!
    Beijos .*
    http://coisasdemeninasarteiras.blogspot.com.br/ 

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  15.  Oi Neyla,

    Gracias, a resenha equivale ao livro que é ótimo, no final até fui lendo aos pouquinhos com dózinha porque estava acabando, não queria me desgrudar da história, masss...como o segundo já esta previsto para dezembro, me animei a finaliza-lo, aguardo ansiosamente o próximo, algo me diz que promete!

    Beijos!

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  16.  Ola Marla,

    Realmente, são 800 pgs, que nem sentimos, de tão envolvente que é a trama, as personagens nos fisgam, é difícil larga-lo depois que entramos em contato com a pequena Amy e isso ocorre logo na primeira pagina, então só nos resta devora-lo, mas vale cada linha.

    bjo!

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  17.  Oi Cida,

    É uma distopia sim, no entanto trata-se de um virus mutado de morcego, eles carregam ainda em si alguma humanidade, contudo tem sede de sangue, que lhes dá extremo prazer, é como se lutassem contra um extinto primal, é muito interessante a criação de Cronin, ele explora o romantismo com os humanos em várias nuances pois são diversos personagens, mas no que tange aos "virais", é questão de sobrevivencia.
    Não resista é uma ótima história e a segunda parte sera lançada em dezembro.

    Me estendi + devo confessar amei a passagem.

    Bjos!!!!

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  18.  Oi Cris,

    Se voce for ansiosa, então espere a trilogia fechar em 2014, pois em dezembro sairá o segundo, vai ser um ano de espera, pelo terceiro.

    E também haverá o filme, os direitos foram cedidos, previsão tambem para 2014.

    bjo!!

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  19. Vampiros maus, nada daquela baboseira de Crepúsculo, isso que eu gosto! Ainda mistura ficção científica, calamidades e doenças, pra mim parece fantástico!!!

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  20. Eu acho lindissimo um romance futurista, principalmente me encanto com pessoas que escrevem esse tipo de livro, isso é simplesmente lindissimo (minhas únicas palavras).

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