[Resenha] As Pirâmides de Napoleão

As Pirâmides de Napoleão - William Dietrich

As Pirâmides de Napoleão - William Dietrich
Sinopse - Editora Mercuryo - 2006 - 364 páginas


Muito além de Indiana Jones! Com um enredo repleto de aventuras e desventuras, William Dietrich nos apresenta Ethan Gage, um “Americano”, com “A” maiúsculo mesmo; sua arrogância temperamental e seu rifle tornam incontestável sua nacionalidade, refletida em um ego descomunal que coloca todos seus coadjuvantes em perpétuo risco.

“O problema todo começou com a sorte nas cartas. Assim como, com a decisão de me alistar no exército a caminho de uma invasão maluca que parecia ser a melhor solução para a enrascada em que me envolvi. Ganhei uma joia e quase perdi minha vida; então, aprenda uma lição: jogar é um vício.”

Atrevido, abusado, destemido, inconsequente, mas tantas vezes ingênuo, Ethan está mais para Macunaima que para Indiana Jones, o que não o torna menos encantador e carismático diante das situações absurdamente perigosas e insanas que enfrenta no decorrer de suas peripécias. É sob o ponto de vista dele que vamos desde a França pós revolucionaria:

“Durante o reinado do Terror, o fio da guilhotina fazia da existência em si uma questão de pura sorte. Então, com a morte de Robespierre, veio um alívio insano e casais felizes dançavam sobre os túmulos do cemitério de Saint Sulpice ao som de um novo passo alemão chamado valsa. Agora, mais de três anos depois, a nação mergulhou em guerras, na corrupção e na constante busca pelo prazer.” 

Até o Egito mediante a invasão napoleônica:

“O contraste entre campos fartos e a desolação da areia poderia ser a origem da ideia de expulsão do Éden? Essa sensação deve ter servido como lembrete da breve duração da vida e alimentou sonhos de imortalidade. Com certeza, o calor seco mumificava os corpos naturalmente mesmo antes de os egípcios fazerem isso religiosamente. Imaginei alguém encontrando minha carcaça daqui alguns séculos e vendo minha expressão de arrependimento.”

Neste ponto, temos que felicitar Monsieur Dietrich, porque são descrições geniais que passam o verdadeiro clima do instante, é como estar na cena, diante da riqueza imagética que ele estabelece em cenários de sonho. 

Ethan nos cativa a acompanhá-lo nesta viagem, seu relato é impar, ele é irônico, despojado, contestador, crítico, impressionável com o inusitado, o que nos rende descrições vívidas e encantadoras. É desta forma que ele nos fala de Napoleão, ou melhor, nos mostra o homem sob o uniforme de General, sob o seu ponto de vista, mas ainda assim o desnuda.

Tendo em vista que a maior parte das personagens foram baseadas na história real, somos convocados a descobrir o quanto foi omitido pelos livros oficiais de história, ou seja, as relações nada diplomáticas entre a Inglaterra e a França, o segredo sobre a Pirâmide de Gizé, a dificuldade de uma invasão bem sucedida diante do contraste de culturas entre invasores e invadidos e as situações nada heróicas no campo de batalha, ou seja os segredinhos mais secretos de uma guerra, tudo com muita ironia, light sim, mas mesclado de um interessante humor negro.

“Homens surtavam, entravam em colapso, tinham delírios e atiravam neles mesmos. Eram atormentados por um novo fenômeno que os sábios nomearam como miragem, na qual um ponto distante no deserto parecia conter lagos de água brilhante. A cavalaria avançava em carga máxima até o lugar para apenas encontrar areia seca e, novamente, viam o “lago” no horizonte. Era tão ilusório quanto o fim do arco-íris.”

No decorrer do caminho em busca do segredo do medalhão, somos iniciados em simbologia maçônica, mitologia egípcia e geometria sagrada. Será Astiza, uma sacerdotisa que Ethan “ganhou” de Napoleão como serva, que o conduzirá através dos mistérios da Grande Ísis, sendo este o elo para ele obter êxito em sua busca.

No entanto, o verdadeiro herói da trama, sem dúvida é Ashraf, um descendente dos Ptolomeus ou seja: Cleópatra, Alexandre e César; é ele quem salva Ethan de todos os perigos repetidamente, com entradas triunfais a ponto de quase vermos o americano gritar: “Meu herói!”. E claro, também temos dois mega vilões, Silano e Bin Sadr que são absolutamente insanos.

Assim, decorrem 24 capítulos em 364 paginas de pura aventura, boas risadas, uma linguagem gostosa feito conversa de fogueira, mas sobretudo surpreendente diante de seu valor cultural e histórico. Apesar de fazer parte de uma coleção de aventuras, tem um final redondinho e bem amarrado, o que não nos prende à sequência, entretanto para quem ficar fã de William Dietrich, o próximo volume é A Chave De Roseta.

Amei! E já fiquei Fã.
Recomendo aos amantes de literatura com conteúdo.

As aventuras de Ethan Gage


A Chave de Roseta - 2008
The Dakota Cipher - 2009
The Barbary Pirates - 2010
The Emerald Storm - 2012

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Mercuryo Novo Tempo.
Aguardamos seus comentários! By.:.

23 comentários

  1. Me lembrei imediatamente de Indiana Jones quando li a resenha.
    Gostei do livro, talvez leia ano que vem ^~^

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    1. Ola Marina,

      Remete mesmo ao Indiana, tem todo aquele clima, com muuuito + conteúdo, é genial e rico.
      Bjo!

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  2. Gostei da sinopse dele, mas vendo mais não sei se eu gostaria muito não. Parece ser legal,mas o jeito dele não é dos que gosto muito.

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    1. Ola Cris,

      A sinopse é tímida, o livro em si é pura aventura e a frase "nada é o que parece neste romance" condiz com o que realmente nos espera: ação cinematografica.

      Bjo!

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  3. Oi Elis!
    Achei esse livro a cara de Ace! Ele curte muito aventuras, acho que iria devorar o livro.
    Não conhecia o livro e a sinopse chamou bastante atenção. Gostei muito da sua resenha e, apesar de não ser muito o meu estilo, acho que seria uma boa leitra! :)
    Beijos
    http://coisasdemeninasarteiras.blogspot.com.br/

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    1. Oi Neyla!
      Quem leu e resenhou o livro foi a Rosem, mas pelo que ela me contou do livro enquanto ia lendo e pelo que conheço do Ace, acho que ele iria curtir bastante sim e se divertir com o Ethan Gage ;)
      Beijos!

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  4. Muito boa resenha, apesar de não ser do meu gosto.. acho uma boa leitura!

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  5. Nossa que livro maravilhoso, deve ser muito gostoso ler. Já anotei no meu caderninho, já quase sem páginas em branco.

    soniacarmo
    retalhosnomundo.blogspot.com.br

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    1. Ola Sonia,

      Delicioso e divertido, pode sublinhar.

      Bjo!

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  6. Gostei de saber que apesar de fazer parte de uma série ele pode ser lido como um livro único. Esse tipo de livro de aventura só me prende a atenção se for uma história muito bem escrita, parece ser esse o caso aqui.

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    1. Oi Cris,

      É isso mesmo, Dietrich é um autor excelente, nos cativa desde as primeiras linhas.

      Bjo!

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  7. Amei a resenha e a capa é linda. Esse é o tipo de livro que adoro ler: tem aventuras, suspense, surpresas diversas, fala do Egito, das pirâmides e doa antigos reis. Quero muito ler esse livro, agora mais do que nunca, pois sua resenha aguçou-me a curiosidade.

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    1. Oi Maristela,

      Leia sim, vai amar, ele é perfeito.

      Bjo!

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  8. Meninaaaaaa, não conhecia o livro, mas depois dessa sua resenha, quero pra ONTEM! Sério mesmo! Ameeeeeeeeeei!!!! Obrigada!!! <3

    Beijooooooooooos

    Gleice
    www.murmuriospessoais.com

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    1. Ola Gleice,

      Em breve vou resenhar A Chave de Roseta, do mesmo autor também publicado pela Mercuryo, e outras dicas do autor, fique atenta e seja bem vinda.

      Bjos!

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  9. Eu gostei demais do livro, gente quantos elementos unidos nesta trama. Ficção e fatos históricos juntos, dão mais veracidade ao enredo e acho que são uma boa forma de aprender, enquanto nos divertimos.

    Bjos!!
    Cida
    Moonlight Books

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  10. Oi Cida,

    São os bastidores da história, é fascinante, e o Ethan é uma figuraça, diversão e cultura em uma só dose.

    Bjos!

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  11. que legal, muito interessante, fiquei curioso para conferir , abraços

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  12. Adoro histórias que falam do Egito, por que é o pais que mais tenho vontade de visitar, esse livro deve ser maravilhoso, vou correr atrás do meu! bjus!!!
    Adorei a resenha!

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  13. Nossa menina que resenha mais legal,eu não conhecia o livro e fiquei apaixonada pela sua resenha,na verdade eu amo livros que falam sobre o Egito e com certeza vou comprar esse livro!
    Beijokas...
    http://fomesedeevontadedeler.blogspot.com.br

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  14. Que bacana esse livro, adorei saber que a maior parte dos personagens foram baseados na história real, o livro parece ser muito bom!
    Gostei de saber sobre esse livro, ainda não tinha ouvido falar dele.
    Ótima resenha

    Beijinhos
    Renata
    http://escutaessa.blogspot.com.br
    http://www.facebook.com/BlogEscutaEssa
    @blogescutaessa

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  15. Ah, não me interessei muito por esse livro não... realmente não sou fã de história e acho que empacaria na leitura.

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