[Resenha] É melhor não saber

É melhor não saber - Chevy Stevens

É melhor não saber - Chevy Stevens
Sinopse - Editora Arqueiro - 2013 - 320 páginas


Um thriller psicológico intenso. Definitivamente, estamos diante de um “new gótico” contemporâneo em que o castelo é o corpo, e o fantasma o DNA da protagonista Sara Gallagher. A narração em primeira pessoa, é um relato a uma terceira pessoa – Nadine – sobre fatos que ocorreram há algumas semanas, no estilo dos antigos contos góticos em que alguém sempre esta contando o “caso terrífico” geralmente via carta a um amigo, aqui a autora irá apropriar-se de sessões de análise com sua psiquiatra para contar seu “caso” não menos inquietante. 

Mergulhando fundo ou emergindo para a realidade? Cada sessão é um capítulo, e a cada capítulo vamos mergulhando mais fundo nos meandros emocionais de uma Sara que irá se desvelando e adquirindo uma profundidade abissal no decorrer das vinte e quatro sessões.

Na busca das origens o fogo do conhecimento, privilégio dos Deuses proibido aos mortais... Essa jornada em busca das origens, invariavelmente traz em si a semente do autoconhecimento, muitos a temem, porque a verdade que virá à tona é que só podemos ver quem somos através do outro e, apesar de pensarmos que estamos prontos para essa descoberta, olhar a própria face pode ser estarrecedor.

Pressão, tensão, ritmo de ebulição… da Brisa ao Furacão e no olho dele: Sara. Impossível ficar imune a personalidade de Sara, que nos arrasta de um paradoxo a outro, não percebemos como, mas ela nos contamina. Extremamente ousada, geniosa, inquieta, ansiosa, obsessiva, mas sobretudo compulsiva, quer respostas e inconsequentemente atravessa todas as convenções, quer olhar, cava fundo, assume riscos que nenhuma sensatez permitiria, ela não tem limites. Na ciranda da emoções exacerbadas... Sara contamina todos os personagens em seu entorno? Ou é possuída por eles, que espelham personalidades tão intensas quanto a dela? 

Evan, Julia, Lauren, Melaine, Billy, Sandy, John, seu Pai e sua Mãe adotivos e até mesmo a pequena Ally, são gatilhos ou alvos ou ambos, gerando conflitos indigestos frente a verossimilidade das personagens, mas principalmente e inevitavelmente linkando o leitor ao enredo, tendo em vista a similaridade aos conflitos do cotidiano na vida real.

Absolutamente fisgados e envolvidos só nos resta analisar os fatos e refletir muito. Segredos, dualidade, tramas, intrigas, omissão, covardia, desconfiança, orgulho, mágoas, jogos emocionais, dramas de controle de toda espécie... mas também afeto, proteção, união, assistência, um manual de sobrevivência no que tange aos dilemas dos relacionamentos interpessoais e constelação familiar.

Todos os personagens são manipuladores sem exceções, nos levando a crer que a autora quer ressaltar que o temor da morte psicológica sobrepõe o temor da morte física no enredo. Neste ponto, Stevens lança um olhar analítico sobre nosso modelo de sociedade, onde a busca do controle gera relacionamentos cada vez mais manipuladores, que como na trama, iniciam-se no núcleo familiar e estendem seus tentáculos ao convívio social, se Sara reflete isso, não é a única, trata-se de um padrão comportamental contemporâneo que a autora captou e relatou magistralmente em várias nuances.

Quando tentamos impor nosso ponto de vista sobre o outro, agressivamente ou gentilmente não importa, isso é manipulação, na trama existem exemplos épicos desse tipo de “batalha” velada, em todos os níveis, do autoritarismo a submissão. Quem vence fica com o controle quem perde se frustra e aí... Administrando Frustração: Sociopatia X Psicopatia.

Quem ganha essa batalha? Esse livro dá uma fenomenal discussão acadêmica, teorias a parte, esta é a grande charada da trama, que chega a picos de adrenalina máxima, nada é o que parece ser, por vivermos em um mundo ilusório, existe sempre aquele momento em que todas as máscaras caem, sempre caem, até a sua... hehehe.

Chevy Stevens construiu uma excelente trama, com desenvolvimento impecável e realismo visceral, atualíssima, apossou-se de referências contemporâneas que causam identificação imediata no leitor: internet, redes sociais, conexão de mídia, código genético e rastreamento via satélite são os elementos para estabelecer ligações sobre o poder do controle e manipulação da informação e seus efeitos na vida cotidiana.

Sem dúvida promete ser uma das grandes Damas do Suspense, já tendo como trunfo sua notável habilidade para dissecar o amago da natureza humana.

Aprenda a “ver”, estamos vivendo em um tempo onde tudo é simulacro, até as pessoas. Quer Saber? Pegue o livro, pague a passagem, faça a viagem e... foco nos relacionamentos, em um deles haverá uma mensagem para você. Recomendadíssimo!

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro.
Aguardamos seus comentários! Beijos...

20 comentários

  1. Caramba parece ser bem tenso >;<
    Eu me interessei por essa autora desde O livro Identidade Roubada (que ainda quero ler), parece ser uma característica da autora mesmo essa pegada de suspense. Gosto de livro assim se a autora tiver a maestria de desenvolver bem a história.

    Adorei a resenha e quero muuuito ler *-*
    Beijão!
    http://literarioecultural.blogspot.com.br

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  2. Eu acabei de perceber que a Arqueiro lança a maior parte dos livros com os quais eu me identifico logo de cara. Depois dessa resenha então, vou ter que acrescentar mais esse á minha longa lista de desejados. Não conheço a obra da autora ainda mas mal posso esperar pela oportunidade de ler.

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  3. Gosto de ler livros de suspense com thriller psicológico que faz você ficar presa a leitura. Gostei muito da resenha. Parabéns.

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  4. Parece ser bem intenso!! Esse pai assassino e estuprador já meu deu medo...

    Quero ler.

    bjs

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  5. Oi Elis!
    Esse é um dos próximos livros que pretendo solicitar à Arqueiro. Eu achei a história muito interessante e, vc sabe (e acho que quase todo mundo - rs) que eu amo suspense e esse tem tudo para me prender do início ao fim.
    Todo muno fala que a Chevy Stevens fez um ótimo trabalho com Identidade Roubada (que é outro livro que quero ler) que fiquei super curiosa.
    Parabéns pela resenha amiga, ficou maravilhosa!
    Beijos
    http://www.coisasdemeninasarteiras.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada amore, foi a Rosem quem escreveu a resenha, eu também adorei, beijos!!!

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  6. Oi meninas! Gostei da proposta do livro, esta autora parece saber como balançar nossos sentimentos, fui lendo a resenha e já fiquei apreensiva, imagino lendo o livro. Parece ser angustiante e vivo. Adorei a dica.
    Bjos!!
    Cida
    Moonlight Books

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  7. A editora se supera, né... é uma das minhas preferidas. Esse livro tem uma mega pegada psicológica, acho que como estudante da área vou adorar e também irá render muitos debates sobre as personalidades das personagens. Não sei se foi por causa do nome Nadine, mas pensei direto em Twin Peaks, por causa dos comentários sobre como as pessoas são manipuladoras de maneiras diversas. Obrigada pela resenha! Abraços!

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  8. Gostei da sua resenha, mas não fiquei muito interessada pelo enredo, então pelo menos no momento eu não tenho muito interesse em ler “ É melhor não saber” .

    *bye*

    http://loucaporromances.blogspot.com.br/

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  9. Acho que o nome caiu muito bem com a historia, algumas vezes a alguns momentos que o melhor e não tocar naquela feriada ou ela pode só piorar, o livro me deixou curiosa, mesmo não sendo meu estilo e sua resenha ficou bem profunda na historia.

    http://loucaescrivaninha.blogspot.com.br/

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  10. Gostei da capa. :)
    Faz tanto tempo que eu não leio um thriller. Acho que está na hora de ler um. rs
    Este parece bem bacana e intenso. Ótima resenha, Rosem!

    Beijocas, meninas.
    http://artesaliteraria.blogspot.com.br

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  11. Gostei muito da trama do livro, parece ser bem denso!
    A sua resenha me deu uma imagem mais ampla da história e fiquei aindamais interessada em ler. Parece ser um excelente livro.

    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa
    http://www.facebook.com/BlogEscutaEssa
    @blogescutaessa

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  12. Nossa!! Esse livro pega o leitor de jeito hein?!
    Apesar de não ter costume de ler livros desse gênero não é por falta de curiosidade e tenho que confessar que esse livro me prendeu, e com certeza vou ler.Adorei o fato de a autora investir em uma história onde a própria personagem busca respostas sobre quem ela é e não tem medo de descobrir e enfrentar seus problemas!!
    Ótima resenha.
    Beijos

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  13. Gostei muito do clima de tensão e já faz tempo que não leio um livro assim. Sua resenha já colocou esse livro na minha lista.

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  14. Elis
    Sua resenha está perfeita... captou pontos importantes da história que faz com que qualquer um tenha o impulso de sair correndo para comprar...
    Adorei o enredo e confesso que agora, depois dessa crítica positiva estou muito tentada a lê-lo!

    Beijos
    Chrys
    Todas as coisas do meu mundo

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    1. Obrigada Chrys, o mérito é todo da Rosem =D
      Bjs!

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  15. Thriller é tudo na vida!!!!!
    Chevy Stevens escreve muito.
    Tava querendo esse livro e acho que vou pedir agora. Primeira resenha que li dele !!!

    Beijinhos
    www.intheskyblog.blogspot.com.br

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  16. Adorei a resenha e advinha amanhã estarei na livraria para comprar o livro. Beijinhos

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    1. Tania, quando a Rosem me contou sobre o livro pensei que você iria adorar lê-lo, então depois me conta como foi a experiência, ok?
      Bjs!

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  17. Eu só li um livo gótico esse parece ser bem maneiro, amei a capa!!
    QUERO!!!

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