[Resenha] Na Curva das Emoções

Na Curva das Emoções - Jorge Miguel Marinho

Na Curva das Emoções - Jorge Miguel Marinho
Sinopse - Editora Biruta - 2011 - 128 páginas


Um manual para compreensão de seu adolescente exterior ou interior. Depois de uma curva nunca sabemos o que podemos encontrar e nesta, faremos uma viagem por mares bravios e tempestuosos, isso mesmo, é assim que ocorre a explosão das emoções em transição da criança para o adulto. Jorge Miguel, com uma incrível sensibilidade, é mestre em traduzir as dúvidas, anseios, desejos e rebeldia em seus heróis adolescentes com muito sentido.

Comparando suas personagens com borboletas, simbologia pertinente, tendo em vista que é de transformação que tratam os sete contos, seus jovens protagonistas irão da lagarta ao voo livre, pois ao saírem de suas cascas querem liberdade e não aceitam nada menos que isso, motivo pelo qual irão lutar com garras e dentes, mas sobretudo, com um discurso afiado de quem sabe o que quer. 

Em O umbigo de Isaura, faremos contato com Isaura em plena metamorfose, tateando-se, descobrindo-se, comparando sensações e comportamentos, relaciono Isaura ao reflexo infantil de uma possível Clarice Lispector, com suas inúmeras questões girando ao redor de uma eterna busca do sentido das coisas, o conto é riquíssimo, com direito até a uma nuance de primeiro amor delicadamente construída que logo de entrada me cativou por sua sagacidade.

Já em A libertinagem das mães, Cristina vai nos mostrar a dimensão que uma pequena crise pode tomar, quando a comunicação assertiva não é exercida entre pais e filhos, aqui vemos um grão de areia tornar-se uma montanha e mamãe perder totalmente a “noção”, em uma situação hilária e trágica, que lhe garantirá boas risadas.

No seio tatuado de minha avó, o humor também é um forte elemento, Pedro nos guia em seu relato-experiência aos meandros da responsabilidade, do preconceito, e da valoração errônea que conclusões precipitadas podem nos induzir, deixando bem evidente a importância de dividir com nossos pequenos sucessores as experiências e vivências contidas em nossas raízes familiares, que como princípio de formação irão auxiliá-los na composição da construção do “Eu sou”. 

Como uma pausa para o lanche, As borboletas copulam no voo, é um exercício poético do autor, que apodera-se brilhantemente da poesia “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, para relatar os paradoxos dos amores juvenis.

E depois do “relax”, preparem-se para entrar em um clima “quase” mórbido (se não fosse tão característico desta fase repleta de “dramas de controle”), aqui estamos diante de um Rito de Passagem camuflado, é evidente que Jorge Miguel sabiamente se apropriaria do tema da morte, tão querido entre os jovens, para estabelecer um elo entre a morte da vida infantil rumo ao nascimento da vida adulta, correto?

Estamos falando de Eros de luto, Augusto encena o tema ao pé da letra, melodramático, fatal, bizarro, sinistro, mas sobretudo um romântico. E, entre vida, morte e vida, será o amor que irá libertá-lo de suas “angústias”, neste ponto repete-se o liame do primeiro amor que já tínhamos observado com Isaura, idealizado na figura do amante adulto, ou seja, o adulto que admiro, que me reflito, que quero me transformar, meu vir a ser.

Em um clímax absoluto nos encontramos com Ana, Clarice, Ana... ficamos em suspensão, sem dúvida os leitores de Clarice se deleitarão em A revelação de Clarice, neste conto de uma genialidade impar, o jogo, o tom, o som das palavras, o ritmo, o sentido, o livro...

“ Agora eu sei que tem livro que esvazia da gente
o que a gente pensava que tinha...” 

Em um universo Lispectoriano revezamos a valsa entre Clarice e Ana e é profundo, apaixonante, denso.

“Preciso entrar dura e direta como uma arma engatilhada para eles. Eles mentem e, se eu não for o tiro mais preciso que alguém já pôde ser, a mentira deles fica sendo a minha verdade.”

A revelação de Clarice Lispector é S U B L I M E !

Finalizando com Um aviso as borboletas, Jorge Miguel em franco elogio a liberdade de “Ser”, termina esse mágico manual de voo livre nos enchendo o coração com a convicção de que:

Sim, voar é preciso.
E você, onde estão as suas asas?

Excelente leitura, Jorge Miguel está sempre entre os meus favoritos.
Recomendadíssimo!

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Biruta.
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4 comentários

  1. Livros de contos não são o meu gênero favorito, mas gostei da proposta do autor e fiquei interessada em ler.

    *bye*

    http://loucaporromances.blogspot.com

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  2. O titulo até que é bom e sugestivo, mas não gostei muito do conteúdo dele, e não fiquei muito interessada em ler...Mas amei a resenha.
    :)

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  3. gente vi a capa e nao me interessei muito, mas o livro parece bem legal ola. gostei

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  4. Oi Elis,
    Não conhecia esse livro, mas gosto de livros de contos, são sempre bem interessantes.
    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa
    http://www.facebook.com/BlogEscutaEssa
    @blogescutaessa

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