[Resenha] Os Doze

Os Doze - Justin Cronin

Os Doze - Justin Cronin
Trilogia a Passagem - Livro 02
Sinopse - Editora Arqueiro - 2013 - 592 páginas


Nos aventuramos ao adentrar na Passagem (resenha aqui), agora vamos nos defrontar com Os Doze. Justin Cronin não deixa nada ao acaso, aposta na curiosidade humana para voltar no tempo e contar o que aconteceu no “Ano Zero”, marco da invasão dos virais no livro I da Trilogia A Passagem.

Neste segundo livro da trilogia, velhos personagens como Grey, Lila e Guilder, que ficaram retidos no “Ano Zero”, são retomados e terão significativa importância no decorrer da trama, bem como, voltarão a tona fatos marcantes que transformaram o mundo em um pandemônio de caos e devastação nunca antes vistos. 

Estaremos diante de pessoas confusas, atordoadas por uma realidade surreal sem nenhuma prévia explicação lógica, como um ataque das forças da natureza, inexplicável, devastador, selvagem.

Preparem-se para uma aventura sem limites através da decadência de todos os sentidos. Embarcaremos na saga dos aturdidos sobreviventes do fatídico dia em que a terra foi contaminada, pela pior experiência que a tecnologia militar poderia produzir depois da hecatombe nuclear.

Quem não leu A Passagem, encontra no prólogo um instigante resumo, “quase bíblico”, que nos prepara para os 71 capítulos vindouros e... Simmm, nos deixa famintos para devorar as quase 600 páginas que temos a frente.

No antes e no depois, adrenalina máxima!

Antes... cenários devastadores da destruição em massa são percorridos pelos sobreviventes do Ano Zero, entre eles estão: Danny, Tim, April, Jamal, a Sra. Bellamy, o Pasto Don, Os Robinson, Boy Jr, Wood, Delores e outros, liderados por Kittridge ex-combatente militar (Rangers), em uma fuga cega rumo ao leste dos USA a partir de Denver, repleta de assombros de toda natureza.

Depois... ano 97 DV (depois do vírus) a luta entre humanos e virais continua: Peter e Alicia, agora ambos engajados nas Forças Expedicionárias do Exército, prosseguem em missões diferentes, numa busca implacável aos Doze, em seus berços natais, Amy em segurança com Caleb, espera “o chamamento”, Holly, quer esquecer e mergulha na perdição da cidade H, Michael no Texas tenta retomar uma vida “normal”, o Major Lucius Greer está preso por deserção, no entanto “Lucius, o Fiel, Aquele que Acreditava, estava esperando que alguém viesse.”

Aparentemente separados, permanecem unidos, em um só objetivo, um só coração, quando o momento certo chegar o grupo original se reunirá... yeahhhhhh! E diz a profecia que juntos eles enfrentarão os Doze.

Entrementes, na história dentro da história, façamos como Jack: Vamos por partes.

A Parte III: “A Plantação”, deixará os fãs da saga estupefatos, pois é um encontro de elos do passado, e daí até a parte VIII: “A criança roubada”, o enredo desenvolverá uma estonteante junção de elos, ligações, desvelamentos, charadas decifradas, respostas a perguntas que nem chegamos a fazer, e os sonhos começam a nos sonhar e estamos lá dentro, fazemos parte da trama, “estamos” sobreviventes, impossível não se emocionar, lutar, amar, sangrar, revoltar-se, resistir e insurgir com as personagens.

“- Sérgio vive! ”

Ao sermos “Tomados” pelas inesquecíveis personagens de Os Doze, nos transmutamos nelas, e ao nos identificarmos com sua força, seus defeitos, sua fragilidade, seu medo, sua dor, seu amor contido, sua esperança, sua crença na vitória, sua sede de vingança, sua coragem voraz, fazemos parte de algo gigantesco, reintegramos os laços “da família”, reencontramos o sentido perdido de pertencer, de voltar a ser unos com o que somos, pois é isso que somos... humanos. 

“ ... Nada dura para sempre.
- Algumas coisas duram.
- Que tipo de coisa?
… o amor que a gente sentiu pelas pessoas.”

Do deserto à planícies verdejantes, de regiões costeiras em ruínas à bases petrolíferas decadentes, perigo, barbárie, cidades fantasmas ou assombradas pelo descaminho, o mundo renasce perdido sem referências, mas sobrevive. Em outra parte, outro mundo, paralelo, híbrido, criado a partir da opressão, do medo, da tortura física e mental, dos horrores do totalitarismo, da maldade, da traição, da submissão, da infidelidade necessária, da genética da mutação, da perda da crença, onde mais uma vez o “homem” é algoz do homem, é neste mundo que os Doze reivindicam seu poder, e nele nossos heróis se reúnem mais uma vez, e Amy, a menina de lugar nenhum, lutará sua penúltima batalha ao lado de seus amados, ao lado de nossos irmãos de sangue, na noite das noites.

“A minha alma está entre os leões,
e eu estou entre aqueles que estão abrasados,
filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas,
e a sua língua espada afiada.”

Se você pensa que viu tudo, está absurdamente enganado não há termo para a imaginação de Cronin, ele está a margem, as cenas tomam tamanha amplitude e nos envolvem de tal maneira que é como se um “Game Master” houvesse gritado subitamente “Role-playing” e fossemos engolfados num jogo terminal de RPG, imediatamente engolidos em um tsunami de descontroladas emoções.

E nos últimos momentos... Justin explode coração Cronin, nos tira todo ar do peito...Uffffffff!!!!! Ficamos sem folego, estarrecidos, boquiabertos, transformados:

I believe in love, I believe in love...
Na luz e... em Alicia, a das facas.

SENSACIONAL!
Mil vivas à Arqueiro por nos proporcionar publicações como esta. 
Justin Cronin é tudo, experimentem! Recomendadíssimo!

Trilogia A Passagem



A Cidade dos Espelhos (2016)


Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro.
Aguardamos seus comentários! By.:.

15 comentários

  1. Quando o primeiro livro da série saiu, eu meio que torci o nariz, em razão de seu título!!!!! De qualquer forma, andei lendo sua sinopse e algumas resenhas... Bem, achei que se tratava de uma coisa e era totalmente outra, no fim das contas..... Agora, com a publicação do segundo volume da série, venho achando cada vez mais interessante essa história, mas com a demora na publicação de seus volumes, acho que vou esperar a publicação do terceiro, para ler todos em sequencia, até porque, acho que deve ser uma história bem complexa e se ler agora, terei de reler mais adiante, quando o próximo volume for publicado.....Adorei a resenha.

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  2. Eu não havia prestado muito atenção no livro até ler sua resenha. Pelo que percebi a narrativa é bem tensa e cheia de emoções. Gasotei da premissa. Tomara que um dia eu possa adquiri-lo.
    Excelente!
    Bjs!

    Zilda
    http://www.cacholaliteraria.com.br

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  3. Elis,
    Sério mesmo que A Passagem está na minha estante, meio esquecido e ainda no plástico e é isso tudo de bom? Sério que ainda que uma continuação, Os Doze consegue manter o nível?!
    Caramba!!!
    Eu fico triste em ver resenhas assim, enaltecendo livros que deixei para depois...
    Certeza que A Passagem irá para a lista de Ler nas férias!

    Beijos
    Chrys
    Todas as coisas do meu mundo

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  4. Gente, senti sua empolgação daqui! haahha
    nao li o primeiro livro ainda nao, mas acho q depois de toda essa resenha extremamente estimulante acho que vou ter que le-lo o mais rápido possível haahah
    beijos
    http://nolimitedaleitura.blogspot.com.br/

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  5. Eu também consegui sentir sua empolgação e me contagiou de tal forma que acabei de ler a resenha ávida por ler os livros...

    espero que me sinta da mesma forma que você ao ler o livro.

    bjsss

    Bianca

    http://www.apaixonadasporlivros.com.br/

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  6. Oi Elis,
    Eu já estava empolgada para ler esse livro, agora depois de ler a sua resenha fiquei 10 vezes mais empolgada!! Preciso ler logo esse livro!
    Renata
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  7. Rosem você é a mulher dos livros grandes hein rsrsrs.
    Eu to doida pra fazer essa leitura, mas antes preciso ler A Passagem, mesmo sabendo que o prólogo de Os Doze nos prepara para a leitura.
    Já estou com os dois livros aqui, mas to dando um tempo de livros imensos.
    A premissa dele é atrativa e interessante demais.


    Beijo meninas.
    Leituras da Paty

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  8. Oi Rosem e Elis,

    Wow, parece bem intenso e aterrorizante. Só de ler sua resenha, já imagino como deve ter sido a guerra e o que aconteceu depois. Fiquei muito intrigada! Incrível como às vezes 600 páginas parecem meras 50 quando o livro é bom e envolvente.
    Ótima resenha.

    Beijocas.
    http://artesaliteraria.blogspot.com.br

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  9. Desde que li a resenha do primeiro livro aqui fiquei com vontade de ler a série, é tão diferente de tudo que já li, e algo novo sempre é bem vindo. Preciso de tempo para a série. Bjos!!
    Cida
    Moonlight Books

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  10. Oi Elis,

    Nossa história impactante!! não tem outra palavra
    Parece ser intenso, com ricos detalhes, mas como eu ainda não li a passagem ( Confesso que ja passei por ele algumas vezes e nunca tive interesse ) e descobrindo que ainda vira um terceiro, vou esperar!! já sofri de mais com séries inacabadas esse ano kakakak

    Bjs

    Sara

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  11. Oiii.. confesso que essa série não me agrada não... sei que o novo é bem vindo, dicas, e gosto de ler as resenhas, mesmo não sendo meu gênero... mas vou deixar esses lá pro finalzinho da lista! ehehehe bjos!

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  12. Os livros dessa autor(a) sao otimo,li a resenha.....interessante

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  13. Eu estou com muita vontade de ler esse livro. Tenho lido resenhas e comentários sobre ele e sempre leio coisas muito positivas e isso só aumenta o meu interesse pelo livro. Sua resenha está muito boa.

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  14. Gostaria de saber se você teve a curiosidade de descobrir quando exatamente é o ano zero. Procurei fazer uma avaliação conjunta dos dois livros e cheguei a conclusões divergentes. Marcelo

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    Respostas
    1. Oi Marcelo!
      Segue a resposta da Rosem:

      "Em minha concepção, o ano Zero é em 2044, ou seja, 30 anos depois do último acampamento de Wolgast nas montanhas de Oregon, como ele mesmo menciona que esteve ali com 12 anos ao encontrar o antigo livro de registro que data de 2014 (pag.239 §2º - A Passagem). "

      Beijos!!

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