[Resenha] We - A chave da psicologia do amor romântico


We - A chave da psicologia do amor romântico
Sinopse - Mercuryo Novo Tempo - 2009 - 311 páginas


Concluindo a Trilogia He, She, We, podemos observar que em HE através de Parsifal, nos inteiramos do desenvolvimento da personalidade masculina em sua busca ao Santo Graal, ao passo que em SHE com Psiquê, somos guiados aos aspectos da alma feminina em busca de sua integração, seja por intermédio do amor ou necessidade de desapego de Eros, a fim de alcançar sua individuação.

Entretanto em WE, já devemos estar prontos para unir esses dois aspectos, pois o foco é o relacionamento afetivo estabelecendo a diferenciação entre a paixão e o amor. Em uma abordagem incomum da jornada do herói, somos transportados ao caminho percorrido tanto pelo homem como pela mulher frente ao amor romântico.

Obs.: Mesmo tratando de temáticas complementares, cada um dos tomos dessa trilogia pode ser abordado individualmente, de acordo com o interesse e disponibilidade do leitor.

Bem, vamos agora a WE:

“Senhores, se quiserdes ouvir uma sublime história de amor e de morte, eis aqui a de Tristão e Isolda; de como, para sua completa alegria e também para sua dor, eles se amaram; e como no final, juntos um dia morreram de amor, ela por ele e ele por ela.”

Na cultura ocidental o amor romântico tomou dimensões colossais, abrangendo desde a literatura até as obras cinematográficas, o que percebemos diante da brilhante exposição e análise que o autor faz do mito “Tristão e Isolda”, é o equívoco que gerou essa influência em nosso sistema de crenças quanto ao amor.

Amar ou estar apaixonado?

Você sabia que o amor romântico surgiu pela primeira vez na literatura através do mito “Tristão e Isolda”? Que a partir desse fato tornou-se um fenômeno de massa, no que tange a formação de crenças, da cultura ocidental? E que trata-se de um tipo de fenômeno psicológico tão arrasador que esmagou nossa psique coletiva a ponto de alterar nossa visão do mundo? 

Se não sabia, em We vai descobrir tudo isso e muito mais.

“O mito é o “sonho” coletivo de um povo inteiro em um determinado ponto de sua história. É como se todo o povo sonhasse junto, e esse “sonho”, o mito, irrompesse em suas poesias, canções e histórias. Mas o mito não vive apenas na literatura e na imaginação; ele logo encontra um meio de se manifestar nas atitudes e no comportamento de uma cultura, ou seja, na vida diária, prática, das pessoas.”

Nesta maravilhosa transcodificação do tema, o autor vai, passo a passo, narrando o enredo e analisando seus símbolos, mostrando-nos as contradições e consequências da paixão avassaladora desses dois jovens e seu conturbado relacionamento que jamais conheceu limites, mas sobretudo nos indicando o tremendo potencial que podemos adquirir na compreensão do mito. 

Nele entraremos em contato com personagens como o Rei Mark, o Rei Rivalen, o Duque Morgan, Blanchefleur, Tristão, Morholt, Isolda, Ogrin, Kaherdin, Riol e descobrimos que são espelhos de nossa alma.

Entre o poder da Harpa e o poder da Espada.

A análise simbólica desses dois objetos, quem diria, nos oferece respostas para os conflitos que enfrentamos no dia a dia em nossos relacionamentos, internos ou externos, orientando-nos a perceber como a falta de equilíbrio entre ambos determina a atual insatisfação da sociedade contemporânea.

“Tristão e Isolda bebem da poção do amor, e a partir desse instante o amor romântico entra para sempre em nossa vida, pois Tristão é um ocidental, e sua vida é a nossa experiência universal do amor romântico.”

Aos poucos vamos percebendo as diferenças entre paixão e amor, e lhes garanto que é um conhecimento que está muito além de nossa vã filosofia, motivo pelo qual involuntariamente acabamos entrando em contato com nossos próprios modos de sentir e percebendo como o inconsciente pode nos lançar em contraditórias ilusões, a leitura é surpreendente e esclarecedora.

Afinal, o que realmente desejamos do amor romântico?
“A lição da Floresta de Morois” 

É um mestre em psicologia profunda que irá nos oferecer essa e outras respostas, mas sobretudo nos instigar a olhar com novos olhos, velhas coisas. De modo coloquial, simples e direto, o autor nos guia habilmente ao caminho do autoconhecimento quanto a nossa forma de amar.

Robert A. Johnson é inigualável e WE é único!
Leitura necessária aos que já se apaixonaram; estão apaixonados; pretendem apaixonar-se.
Essencial aos que querem desfrutar da magia do amor.

Trilogia He She We




Esta leitura foi uma cortesia da Mercuryo Novo Tempo.
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6 comentários

  1. Oi Rosem!
    Encerrou com chave de ouro as resenhas dessa Trilogia! Uma obra essencial para estudantes de psicologia e curiosos do comportamento e sentimentos humanos, não é?
    Beijão amiga... Elis Culceag.

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  2. Ótima resenha... Eu queria mesmo era ler o livro, pelo que li deve ser ótimo!!

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  3. Eu li uma ou duas resenhas sobre esse livro e gostei muito, mas a sua resenha deixou-me com uma vontade enorme de ler o livro. Pretendo fazer isso tão logo possa ($$$$).

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  4. Oi
    Parece ser uma leitura muito interessante, vou colocar essa trilogia na minha lista de desejados ;)
    Parabéns pela resenha
    Beijinhos
    Renata
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  5. visivelmente não entendeu a obra.

    sugiro seguramente que leia nesta sequencia, ilusões de richadr bach, do mesmo autor, fernão capelo gaivota, prosseguir com sidarta de herman hesse e reler a trilogia finalmente.

    talvez faça refletir sobre a importância desta clássica obra prima que não se limita a definir processos sistêmicos específicos do âmbito da relação conjugal pela análise da reflexão da troca de papeis como fator para meramente atuar de ferramenta para soluções pessoais, quando fato é que, acende a chama da consciência de que a dualidade não postula a segregação; afirma sim, sua integração com o todo, abrangendo em termos psicológicos, a interpessoalidade inerente de todas as relações humanas, como pilar para uma efetiva evolução e amadurecimento da nossa Humanidade Terrestre.

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    Respostas
    1. Olá, segue a resposta da Rosem:

      Olá desconhecido,

      Você não é a primeira pessoa a inquietar-se com a posição do autor, é preciso que fique claro que meu objetivo aqui, não é o de análise e desvelamento da obra, pois tiraria a possibilidade de contato, assimilação e prazer dos leitores. Como trata-se de conteúdo analítico junguiano o objetivo da trilogia em si “é individuação” portanto um processo pessoal, que de acordo com Jung, só pode ser alcançado uma vez que o buscador entre em contato com os arquétipos pertinentes, de modo que será no sentido do insigh que o autor nos guiará, utilizando-se de uma obra clássica como já havia feito nos tomos anteriores.

      Agradeço sua sugestão de Hesse e Bach, mas perceba que tanto em “Ilusões” como “Sidarta”, estamos diante de homens que realizam uma jornada espiritual, mesmo diante Kamala e Govinda, a busca de Sidarta é pessoal e “espiritual” e o dualismo se resolve através do “caminho do meio” do Hinduísmo, pois ele busca a individuação através da iluminação.

      O próprio Hesse, apesar de ter feito terapia com Carl Gustav Jung, justamente na ocasião que escreveu Sidarta, quando ganhou o Nobel de literatura negou qualquer influência junguiana, atribuindo totalmente suas influências às filosofias da China e Índia e principalmente ao Budismo.

      Em Ilusões a busca de Richard também é espiritual, e Shimoda o guia entre um mundo de ilusões em busca de seu poder interior. Ambos buscam uma individuação diversa da proposta pelo autor na análise do mito Tristão e Isolda.

      De qualquer forma a equiparação da obra clássica aos arquétipos e sua análise foi de Robert A Johnson, creio que você deveria reportar a ele sua insatisfação quanto aos pontos de segregação, integração, etc, me ocorre que seja uma questão de ponto de vista sobre questões diversas, e universos paralelos, mas daria um ótimo debate.

      Boa Sorte!

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