[Resenha] Para Continuar

Para Continuar - Felipe Colbert

Para Continuar - Felipe Colbert
Sinopse - Novo Conceito/Novas Páginas - 2015 - 224 páginas


Leonardo e Ayako são jovens adultos que possuem vidas limitadas por fatores que independem de sua vontade: ele sofre de uma doença congênita, que o impede de praticar atividades físicas, se entregar a fortes emoções ou ignorar as cartelas de medicamentos que ingere todos os dias; ela carrega a responsabilidade de um legado familiar, sendo a guardiã das lanternas japonesas que "vivem" no porão de sua loja/residência, localizada no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Esses são os protagonistas dessa história, que tem início dentro de um vagão do metrô, num dia comum que veio a se tornar especial para ambos. Foi justamente esse encontro que me levou a querer ler o livro, afinal, a minha própria história de amor começou há mais de vinte anos dentro de um ônibus coletivo, quando conheci o homem que viria a se tornar meu marido. Metrôs, ônibus, lugares improváveis para se encontrar um grande amor, não é?

Mas voltando à resenha, outra figura importante na trama é Ho, um jovem que vive na mesma casa que Ayako e também trabalha na loja de luminárias. Ho é chinês e possui algum grau de deficiência intelectual ou transtorno mental (isso não é explicitamente definido), por isso Ojiisan, o avô de Ayako, tornou-se seu guardião, na tentativa de livrá-lo da influência maléfica de seu primo Kong, o líder da máfia que extorque os comerciantes do bairro, obrigando-os a pagar uma taxa mensal em troca de "proteção" (deles mesmos).

Assim, além de narrar a forma como Leo e Ayako se conhecem e se apaixonam, os conflitos de Para Continuar giram em torno da doença congênita de Leo, das lanternas místicas que Ayako precisa proteger, mas principalmente da fixação de Ho por Ayako e de seu ódio crescente por "aquele-que-incomoda-ayako", sentimentos que o levarão pedir ajuda ao primo Kong, colocando em risco a vida de todos.

Apesar de não me sentir particularmente empolgada durante a leitura, achei a história bem estruturada e agradável. As cenas ambientadas em grande parte no bairro da Liberdade (um reduto da comunidade japonesa em São Paulo), trouxeram elementos de riqueza cultural ao enredo e me deixaram com bastante vontade de conhecer pessoalmente o local.

Achei interessante a forma como os personagens foram caracterizados, todos os três possuindo virtudes e defeitos: Leonardo, dentro de sua limitação física, tem bastante perseverança, como também certa dose de egoísmo e egocentrismo, provavelmente por ter sido tão protegido pelos pais; Ayako, dentro das características de sua cultura e legado, transpira altruísmo e serenidade, mas pende ao comodismo, restringindo suas possibilidades; já Ho, dentro de suas limitações intelectuais e descontrole emocional, possui uma capacidade extrema de questionar-se, mesmo sem as ferramentas necessárias para desenvolver um raciocínio lógico. Ouso dizer que para mim, Ho foi quem mais lutou contra suas barreiras.

O autor optou por trabalhar com diferentes tipos de narrativa, alternando o domínio dos capítulos entre Leonardo (1ª pessoa), Ayako (3ª pessoa) e Ho (3ª pessoa). Me senti mais próxima de Leonardo e Ho do que de Ayako, nos capítulos em que ela foi destaque, era como se a observasse através de uma vitrine, com certo distanciamento. O curioso é que as partes narradas por Ho também são realizadas em 3ª pessoa, mas talvez pelo fato de sua linha de raciocínio ser tão peculiar, ele tenha me chamado mais a atenção que o casal principal em si.

Na última parte da história o ritmo se acelera e torna-se tenso, culminando num final bem arrematado, porém senti falta de uma maior exploração e explicações acerca do elemento fantástico introduzido no enredo, ou seja, as milhares de lanternas presentes no porão da loja de Ayako e Ojiisan, que exerceram um efeito direto (físico e emocional) nos personagens em determinada cena. De toda forma, essa é uma história bonita e delicadamente escrita, que possui componentes capazes de agradar a muitos leitores, a experiência de leitura é sempre diferente para cada pessoa.

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Novo Conceito.
Aguardamos seus comentários! Beijos...

7 comentários

  1. Oi, Elis
    Pelo jeito a leitura apresentou algumas ressalvas. Apesar de querer ler o livro, eu não estou assim tao empolgada, mas sempre tem algo que vale a pena. Acho que ia gostar da criação de personagens com defeitos, isso torna a história mais real.

    livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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  2. Li muitos comentários positivos referentes a esse livro e por esse motivo, fiquei muito curiosa em relação a história e adicionei ele em minha lista de leituras.
    Sua resenha está muito boa e como gosto de romances, acredito que irei gostar de Para Continuar.

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  3. acho que li o livro no maior mau humor, pois enquanto todos elogiam eu não senti nem uma parte desses sentimentos, para mim a história foi cansativa, desgastante e de verdade não me encantei por Leo, admiro a construção do enredo, da ambientação na Liberdade (amo), mas não foi um livro que supriu minhas expectativas
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br

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  4. Olá!
    Assim que eu vi esse livro me encantei com a capa, achei tão Mágica.
    Lendo a sinopse tbém fiquei bem curiosa para saber o segredo das lanternas...
    E lendo a sua resenha parece que não é tão bom assim, kkkkk
    Bem, como vc mesma disse cada um interpreta de um jeito...e acredito tbém que depende do momento em que lemos...quero ler mas já não estou tão ansiosa, kkk...é bom, pq assim não me frusto, kkk e pode até ser que eu venha a curtir mais.
    Um super bjo!

    Alê - Bordados e Crochê
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  5. Olá Elis! Estou doida pra ler esse livro, curto muito um Sick-lit, parece ser bem emocionante e cada resenha que leio dele me deixa ainda mais ansiosa em conferi essa história.
    Bjs

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  6. Elis, confesso que o Felipe Colbert me impressionou, primeiramente quando descobri que o mesmo era brasileiro, mas também pela premissa de seu livro, não focando apenas no romance, mas mostrando-nos o valor humano, como tratar o próximo, mesmo que com algumas deficiências e dificuldades. Gostei bastante!

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  7. A capa com as famosas lanternas orientais chamam mto a atenção e eu amei, achei tao linda.
    Gostei da historia e fiquei curiosa em conhecer os personagens Leonardo e Ayako.
    Fiquei interessada em saber mais da doença congênita de Leo e como eles superarm tudo isso.
    Bacana saber que o livro apresenta virtudes e defeitos de cada um, afinal são a retratação do ser humano ne?
    Com certeza quero ler essa história bonita e delicadamente escrita.
    Beijos

    https://fuxixiu.wordpress.com/
    https://meumundinhoficticio.blogspot.com.br

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