[Resenha] Minhas duas meninas

Minhas duas meninas - Teté Ribeiro

Minhas duas meninas - Teté Ribeiro
Sinopse - Companhia das Letras - 2016 - 184 páginas


“Minhas duas meninas”, obra da jornalista e escritora brasileira Teté Ribeiro, é um relato real, pessoal e interessante, que nos mostra como ela e o seu marido realizaram o sonho de ter filhos através da reprodução assistida, utilizando os serviços de uma clínica neonatal especializada em barrigas de aluguel, localizada na Índia.

A narrativa em primeira pessoa é feita pela própria Teté, que não mantém uma linearidade cronológica na exposição dos fatos, alternando sua história entre presente, passado recente, passado “não tão recente” e passado remoto. No entanto, durante esse “vai-e-vem” dos acontecimentos, a autora nunca perde o “fio da meada” e o leitor não se sente perdido, mas como se estivesse conversando com uma amiga, que conta sua história espontaneamente, como lhe vem à cabeça naquele momento.

Os primeiros capítulos narram a chegada de Teté à Índia, o impacto visual e cultural que todo viajante sente ao chegar ao local, o primeiro encontro com seus bebês Rita e Cecília, as primeiras providências práticas, a chegada de Sérgio (seu marido e pai das meninas) alguns dias depois e as primeiras grandes emoções trazidas pela maternidade.

No decorrer da narrativa, a autora nos conta um pouco sobre sua família – pai, mãe e irmã –, sobre sua adolescência e algumas decisões delicadas que tomou na época. Teté revela antigos sonhos e decepções, sua saga com os diversos tratamentos para engravidar, e o momento em que decidiu mudar de estratégia. Conheceremos sua breve passagem pelo burocrático caminho brasileiro da adoção, e como surgiu a ideia de, eventualmente, utilizar uma barriga de aluguel para gerar seus bebês. Tudo é relatado de forma natural e objetiva, sem dramatizações ou julgamentos.

Ao acompanhar a rotina de Teté na Índia, absorvemos um pouco sobre os costumes, a cultura, a culinária e a história desse povo. Teté fala sobre o mercado de trabalho indiano, onde a concorrência acirrada por empregos que exijam pouca ou nenhuma qualificação resulta, às vezes, em péssimas condições de trabalho; o sistema de castas também é abordado, e como impacta negativamente na vida do cidadão das castas mais baixas.

No decorrer dos capítulos, ficamos sabendo alguns fatos sobre como surgiram os primeiros bebês de proveta, sobre a técnica de barriga de aluguel e como funciona essa prática na Índia e em alguns outros países do mundo. Conhecemos Vanita, a mulher que alugou sua barriga para gerar as filhas de Teté, o seu marido Sandip e seu filho Aarav, além de várias outras mulheres que residem na “Casa das Grávidas”, em diferentes períodos da gestação. A autora fala um pouco sobre o que levou algumas dessas mulheres a serem “barrigas de aluguel”, na esperança que o dinheiro obtido com esse “trabalho temporário” transforme positivamente as suas vidas.

Mas quem, cuja presença definitivamente me chamou a atenção nessa história, foi o Sr.Uday, o indiano designado pela clínica para ser o motorista eventual da Teté é uma figura, discreto e ao mesmo tempo espalhafatoso, um homem evasivo, que diz muito falando pouco; sem dúvida sua sabedoria própria e senso de humor único tornaram a experiência de Teté ainda mais especial, e a leitura bem mais descontraída.

No coração do livro, encontram-se as fotos das bebês Rita e Cecília no dia em que Teté as conheceu, da Teté e do Sérgio com suas meninas no colo, da Vanita, o Sandip e o Aarav com a Teté, da Dra. Nayana Patel com algumas mulheres da Casa das Grávidas e do Sr. Uday, é claro. As fotos são simples, coloridas, repletas de significado e foram essenciais para que eu pudesse imaginar as pessoas reais que a Teté me apresentou durante essa leitura. Adorei!

Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
Aguardamos seus comentários! Beijos...

5 comentários

  1. Olá!
    Que leitura interessante Elis!
    Lendo a sua resenha já fui imaginando as cenas...fiquei curiosa para saber mais detalhes de tudo...de vê as fotos! Enfim, a Índia me chama muito atenção...a sua cultura, sei que nem tudo lá é luxo...mas assim mesmo gosto muito de tudo a que se refere de lá.
    E sobre essa trajetória, nossa, imagino a emoção dela ao vê as suas meninas...
    Anotando, quero ler sim!
    Um super bjo!

    Alê - Bordados e Crochê
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  2. Oi!!
    Que livro mais interessante!! Gostei muito do tema que é bem diferente de tudo que já li!!
    Beijoss

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  3. Oi Elis! Nossa que história super interessante e emocionante, curto muito uma biografia, já foi para o topo da minha lista de desejados.
    Bjs

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  4. que legal, eu ja tinha ficado bem encantada com a sinopse e com a capa na divulgação mensal dos livros da editora, mas a resenha só veio para confirmar que a história é muito emocionante e um relato próximo, como se Tete conversasse comigo falando de sua história
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  5. Elis!
    Não conhecia o livro e saber que ela teve a coragem de alugar uma barriga para realizar seu sonho de ser mãe a torna uma mulher obstinada.
    E ainda mais conhecer um pouco mais sobre a Índia e toda sua cultura deve ser uma viagem maravilhosa a leitura desse livro.
    “Só a mágoa deveria ser a instrutora dos sábios; Tristeza é saber.”(George Lord Byron)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de NOVEMBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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