[Resenha] Ouça a canção do vento & Pinball 1973

Ouça a canção do vento & Pinball,1973 - Haruki Murakami

Ouça a canção do vento & Pinball 1973 - Haruki Murakami
Sinopse - Alfaguara - 2016 - 272 páginas


Haruki Murakami ficou conhecido no Brasil pela cultuada Trilogia 1Q84, atualmente é considerado um dos mais importantes autores da literatura japonesa, “Ouça a canção do vento & Pinball 1973” publicado no final de 2016 pelo selo Alfaguara, reúne suas duas primeiras novelas, ou seja, como ele mesmo diz “sua entrada”, e que entrada esplêndida.

“ ... percebi que não é preciso usar um monte de palavras difíceis nem tentar impressionar o leitor com frases rebuscadas.”

Com um prefácio que fala da origem dos romances na mesa da cozinha, ele nos introduz em seu universo peculiar, detentor de impressionante honestidade nos relata as agruras da escrita, de suas madrugadas insones, e de como uma epifania em uma partida de beisebol mudaria completamente sua vida:

“É, acho que eu podia escrever um romance.”

Esse prefácio intimista “ao pé da orelha” nos cativa por sua autenticidade, a identificação simultânea é de humano para humano e logo percebemos que estamos diante de um fenomenal contador de histórias.

Em Murakami a simplicidade é o cerne da genialidade, e tendo em vista as complexidades do mundo contemporâneo, sua proposta de nos conduzir sem qualquer pretensão a refletir sobre o cotidiano das coisas, o tempo, as perdas, o sentimento, maturidade, fé, sincronicidade é no mínimo ousada e perturbadora.

“ Há um fosso profundo entre as coisas das quais gostaríamos de ter consciência e aquilo de que realmente temos. Nem a régua mais comprida conseguiria medir a profundidade desse fosso.”

Ouça a canção do vento é ambientada em uma minúscula cidade litorânea, nas férias de verão de 1969, e um narrador-protagonista relata aventuras de dois jovens [ele e seu amigo Rato], as noitadas no J’s Bar, a paixão platônica por uma garota que o rejeita remete o narrador “via flashback” a uma análise de sua vida amorosa repleta de situações bizarras e hilárias.

Em Pinball 1973, a trama intercala a vida do mesmo narrador em Tóquio, sua relação peculiar com “as gêmeas”, o elo misterioso das mulheres de sua vida e sua nova paixão: uma máquina de pinball; Ao mesmo tempo Rato lá na cidade litorânea enfrenta o paradoxo do ser ou não ser ele mesmo, como uma espécie de alter ego alternativo do narrador. Mescle a isso reviravoltas além da imaginação, fatos insólitos, personagens que vivem intermundos com extremo humor e nenhum estranhamento.

As referências são inúmeras: musicais, literárias, filosóficas e metafísicas. A narrativa é mágica, as descrições metafóricas, densas, inquietantes, surreais, nos conduzem a um mundo paralelo.

Enfim para quem ousa aventurar-se na toca do coelho, Murakami é o guia de uma experiência extraordinária. Acreditem, a capa pode dizer muito sobre um livro e [olha essa capa!] imagine que isso foi apenas “a entrada”.

Sensacional! 


Essa leitura foi uma cortesia do Grupo Companhia das Letras.
Aguardamos seus comentários! By.:.

12 comentários

  1. Olá, Rosem.
    Confesso que não conhecia o autor ainda. Nem seu outro livro. Pela capa eu acho que não leria ele, pois não chamou muito a minha atenção. Mas as histórias parecem ser muito interessantes. Acho que posso dar uma chance ao livro.

    Prefácio

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  2. Oi, Rosem!!
    Nunca li nada de autoria desse autor!! Pois é, nunca se quer tinha ouvido falar de algum livro dele!! Gostei bastante da capa que é fabulosa e a história é bem interessante!! Adorei a indicação!!
    Beijoss

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  3. eu queria ler o 1Q84, mas ainda não consegui.
    nossa se vc gostou da "entrada" então fiquei ainda mais curiosa para lê-lo, não sabia que era um autor que optou pela simplicidade
    a capa realmente é linda, né? bem diferente. anotada a dica
    e mais um livro pra milha lista enorme

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  4. Oi.
    Primeiramente não poderia deixar de comentar o quão linda é capa é, estou apaixonada.
    Adorei a premissa, e apesar de não conhecer o autor fiquei interessadíssima, acho que esse seria o tipo de livro que me agradaria nos tempos atuais, e me tiraria um pouco do que chamo de zona de conforto, diversificar é sempre bom, emfim esse livro vai para minha lista com certeza.
    Bjs.

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  5. oi Rosem, eu não conhecia o livro, portanto foi bom conhecer um pouco mais da trama e do autor, foi uma surpresa e tanto. Que bom que curtiu, mais uma indicação que vai pra listinha
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  6. Rosem!
    Acredito nunca ter lido um livro japonês, não que me lembre.
    Interessante saber que ele faz referências sobre musicas, literatura, filosofia e metafísica.
    E ainda fala sobre diversos aspectos do cotidiano, deve ser uma leitura enriquecedora.
    “Saber encontrar a alegria na alegria dos outros, é o segredo da felicidade.” (Georges Bernanos)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  7. Esse tipo de liro não me atrai porém sua resenha soube passar um pouco do livro e do autor. Parabéns por sempre estar trazendo ovidades

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  8. Olá!
    Nossa eu ainda não tinha ouvido falar desse livro!
    Confesso que não me chamou tanto atenção...mas se eu tiver oportunidade de ler, vou lembrar da sua resenha!
    Um super bjo!

    Alê - Bordados e Crochê
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  9. Não sabia da existência do autor mais o que li aqui achei magnífico e adoraria conhecer mais de seus trabalhos.

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  10. Não conhecia esse livro nem o autor, nunca li nada da literatura japonesa, parece ser uma obra maravilhosa, a resenha me deixou bastante interessada em conferi isso tudo que foi dito aqui.

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  11. A edição está de um cuidado e beleza ímpares, chama a atenção e me faria comprar pela capa sem nenhuma dúvida.
    A minha vontade de ler a trilogia do autor é imensa, mas ainda não tive a oportunidade, por isso pretendo começar por esse livro, a sua resenha me conquistou mais uma vez, narrar com simplicidade temas variados, utilizando de vários recursos linguísticos unido a isso personagens e situações excêntricas é uma viagem literária impressionante, pelo visto o autor não se perde em nenhum momento e guia com perfeição o leitor pelos caminhos que ele imaginou, a literatura japonesa tem que ser mais difundida no Brasil e um dos que pode ajudar nisso é Murakami, parabéns pela resenha!

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  12. Não tinha lido nada dessa autoria, mas esse nome não me é estranho. A edição ficou linda e a história parece ser cheia de riquezas culturais e referências. Acho que falta em minha lista de leitura para o projeto ''lendo o mundo'' algum livro de origem japonesa, por isso essa seria a obra perfeita.

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