[Resenha] Os Fantasmas

Os Fantasmas - César Aira

Os Fantasmas - César Aira
Sinopse - Editora Rocco - 2017 - 160 páginas


“Os Fantasmas”, do escritor argentino César Aira, é uma história que se passa em Buenos Aires, no dia 31 de dezembro, num prédio recém-construído em fase de finalização, nas mãos do arquiteto Félix Tello. De início somos apresentados aos moradores do prédio, os López que moram no térreo, os Pagalday do terceiro andar, a família do porteiro Raúl Viñas, e também conhecemos os trabalhadores do local, pedreiros, arquiteto, engenheiro, entre outros.

“Cada qual era dono do seu andar, da sua garagem e depósito, de acordo, e nada mais: era só o que podiam vender. Mas, ao mesmo tempo, eram donos de todo o edifício.”

Além dessas pessoas, existem fantasmas habitando o prédio, não são todos que conseguem vê-los, apenas os estrangeiros e as crianças, esses fantasmas sempre estão nus e não costumam se comunicar, apenas vivem lá.

No decorrer do dia 31 de dezembro, os trabalhadores vão embora, tanto os engenheiros quanto os pedreiros chilenos e uruguaios, e aos poucos a narrativa começa a se focar em uma única personagem: Patri, a filha de Elisa e Raúl, uma garota chilena cuja mãe está doida para que arrume um bom marido. Essa é a única personagem que conversa com os fantasmas e pelo ponto de vista dela, acompanhamos os preparativos para a festa de Ano Novo. Descobrimos então, que os fantasmas também irão comemorar a festa e chamaram Patri para participar com eles.

“Mas uma festa, pensava, tinha algo de sério, de importante. Era uma suspensão da vida, de todas as seriedades da vida, para poder fazer algo sem importância: e não era importante isso?”

Na história, os chilenos se diferenciam bastante dos argentinos com quem convivem. Eles se consideram muito distintos e sentem que não se encaixam no país onde estão. Os chilenos recebem salários inferiores e não possuem condições de vida tão boas quanto os demais profissionais que trabalham com eles e os moradores que aos poucos estão se mudando para o prédio novo.

Uma coisa que me incomodou logo de cara no livro, foram os parágrafos gigantes, durante a leitura eu precisava ficar parando na metade do parágrafo para raciocinar, além disso, não existe separação por capítulos, a história não tem intervalos ou é dividida em partes. Quase não há diálogos.

O livro não me cativou muito, mas foi uma experiência de leitura bem diferente e inusitada, não é o tipo de coisa que eu costumo ler. O enredo também trata um pouco sobre arquitetura e faz comparações com sociedades ao redor do mundo, aproveitando disso para fazer algumas reflexões. É um elemento interessante para quem gosta de arquitetura.

Minhas partes preferidas foram as que abordaram as diferenças sociais, um tema em foco nesta obra. Gostei dos personagens, mas não tenho preferidos, todos tiveram seu papel.

Terminei a leitura com a sensação que deixei de absorver alguma coisa da história, interpretei o final de um jeito, mas acredito que outras pessoas podem entender de outra forma, só lendo mesmo para saber!

“Mas se poderia pensar em uma arte em que as limitações de realidade tocassem no seu mínimo, em que o feito e o não feito se confundissem, uma arte instantaneamente real e sem fantasmas. Talvez exista, e seja a literatura.”

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Rocco.
Aguardamos seus comentários!
Beijos fantasmagóricos...

8 comentários

  1. Mesmo não sendo um livro que atendeu as suas expectativas, ou que não tenha te agradado muito, e possível perceber pela sua resenha que ainda sim foi possível tirar aproveitar da estórias, e absorver alguns conteúdos, como por exemplo as diferenças sociais, entre chilenos e argentinos, as comparações arquitetônicas. Admito que esta não e um tipo de obra que me agradá, por haver parágrafos gigantes, sem pausa, ou separação de capítulos.

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  2. Parece ser um livro diferente e pra mim estranho rs. Não sei se leria apesar das partes boas e interessante como as diferenças entre os chilenos e argentinos e gosto de historias com fantasmas. Achei bem estranho a historia não ter seus intervalos fica faltando algo, pois estamos acostumados com as divisões, capítulos, partes...

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  3. Sam!
    Um enredo tão bom que fala sobre a arquitetura das contruções, as diferenças sociais e sobre o sobrenatural, fica sem graça (?), pela edição com parágrafos longos, quse sem diálogos e sem capítulos para dividi-los. Acredito que seja uma leitura bem cansativa.
    “Para cultivar a sabedoria, é preciso força interior. Sem crescimento interno, é difícil conquistar a autoconfiança e a coragem necessárias. Sem elas, nossa vida se complica. O impossível torna-se possível com a força de vontade.” (Dalai Lama)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  4. apesar de bem elaborada e consistente a trama não me chamou a atenção, não é um tipo de leitura que eu procuraria
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  5. Nossa, uma leitura um pouco esquisita essa haha
    Apesar de ter um enredo bem diferente e com um assunto que não encontramos sempre, não sei se conseguiria me manter atenta a leitura.
    Ainda mais por não ser dividido e nem ter capítulos acho que a leitura não iria fluir.
    Mas gostei por ser algo bem diferente, que nos tira do comodismo.

    Beijinhos

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  6. OI.
    é uma pena que o livro não te cativou tanto, eu adorei essa capa mas infelizmente essa premissa não me chamou a atenção, eu adoro quando os autores abordam temas como as diferenças sociais, mas enfim não acho que leria.
    bjs.

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  7. Gosto bastante de livros que possuam algum tema sobrenatural, apesar de ser uma das minhas leituras favoritas, acho que não gostaria muito desse livro, odeio quando os livros possuem parágrafos e muito grandes e por amar diálogos, quando leio algum livro em que eles são escassos, fico sentindo como se faltasse algo, enfim, o livro parece ser bom, mas não para mim.
    Beijos!

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  8. Oiee!
    Achei esse livro super diferente, tantas misturas,tanto de nacionalidades quanto de vida/morte rsrs.
    Apesar de gostar de livros "diferentes" esse não conseguiu despertar minha curiosidade, então vou deixar passar.
    Bjokas!

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