[Resenha] Os Pilares da Terra

Os Pilares da Terra - Vol. Único - Ken Follett

Os Pilares da Terra - Vol. Único - Ken Follett
Sinopse - Editora Rocco - 2012 - 944 páginas


Na lista de meus romances históricos favoritos, para ler e reler, Os Pilares da Terra é uma proposta de leitura ousada afinal são 941 páginas, no entanto é um “page turner” que te faz devorar o livro e ao final querer mais. Essa é a terceira vez que leio esta maravilha de história por puro prazer, e mais uma vez fui arrebatada pela maestria da escrita de Ken Follet.

Ambientado na Inglaterra no período de 1123 a 1174, a trama mescla ficção e fatos históricos em torno da conspiração após a morte de Henrique I pela Coroa da Inglaterra e a paixão obcecada de um homem para construir uma Catedral gótica, entretanto o título já nos oferece a pista de que a “Catedral” é apenas a premissa para questões mais profundas: a mudança econômica, política e religiosa que floresce no período, o poderio que o Clero passa a deter e como a semente da burguesia emerge de tudo isso.

“As Catedrais eram os edifícios mais caros do mundo, muito mais que palácios ou castelos, e tinham que ganhar o dinheiro que custavam.”

O mais surpreendente é que Follet vai tratar desses temas densos de forma fluída, com uma linguagem contemporânea que nos aproxima desde o início de suas personagens. Suas descrições sensoriais de cenários e situações cotidianas nos inserem no dia a dia medieval – os costumes, vestuário, alimentação –, e nos remete a dificuldade de sobrevivência numa sociedade regulada por estações climáticas, onde o inverno definia a vida ou a morte dos menos afortunados. Junte-se a isso a sombra anárquica frente à guerra civil alinhada aos conchavos políticos entre a nobreza e o clero, que podia com suas articulações coroar ou derrubar reis.

As inúmeras personagens dividem-se em núcleos, a princípio isolados, que gradualmente são intercalados e finalmente anelados em um clímax visceral. Já no prólogo somos fisgados quando uma belíssima e incomum jovem lança uma maldição mortal sobre um monge, um cavaleiro e um sacerdote - qual será a relação da jovem e esses três homens com a conspiração emergente?

Passado o assombro do prólogo damos de cara com Tom, “o construtor” e sua obsessão pela construção da Catedral de seus sonhos, determinado e egocêntrico, em sua jornada do herói arrasta sua família por caminhos inseguros fazendo amigos, mas sobretudo inimigos poderosos. Num conflito contínuo acompanhamos seus altos e baixos, sua incrível capacidade de superação apoiada na fé nos lega momentos epifânicos de rara beleza.

E como quando você pega um caminho nunca sabe onde vai chegar, é assim que Follet vai interligado personagens e enredo: cruzando caminhos, prestando auxílio, fazendo alianças, estabelecendo rixas, criando afetos, desafetos e quando percebemos tudo está ligado.

Mesmo que a trama tenha como tema central a construção de uma Catedral e Tom como Mestre Construtor possa parecer o protagonista, creio que a grande personagem da obra é Philip de Gwyneld  Prior da Catedral Kingsbridge – frente o liame que esta fascinante figura representa em todos os sentidos, seu efeito transformador junto às demais personagens, seus pontos de virada ideológicos e sua evolução pessoal.       

Diante de personagens magnânimos como Philip, Tom e a surpreendente Aliena [As mulheres de Follet são fortes e destemidas para a época], é claro que os antagonistas estão a sua altura, ou seja, são sórdidos e cruéis como Willian e Regan Hamleighs ou pérfidos como o Bispo Waleran. Logo o conflito é interrupto, o ritmo é intenso, num jogo perigoso e letal.

Na segunda parte da obra Jack e sua genialidade arquitetônica roubam a cena, seu antagonista Alfred é o típico vilão asqueroso que queremos riscar da cena, chegará a maldade extrema para prejudica-lo e afasta-lo de seu grande amor: Aliena. De modo que os apaixonantes Jack/Aliena passarão por muitas provações. OMG!

Enfim uma obra apaixonante repleta de fortes emoções, questões de princípios, ameaças mortais, manipulação, ambição, todo tipo de conspiração, traições inesperadas, sexo, violência; mas também paixão, idealismo, amizade, lealdade, perseverança, caridade, e sobretudo fé em uma sociedade mais humana, constituída pela união de forças na construção de um mundo mais justo norteado por objetivos em comum. Este mundo perfeito é agregado no priorado de Kingsbridge para onde tudo converge.

Magnífico, uma obra prima. 

Confira também:


Essa leitura foi uma cortesia da Editora Rocco.
Aguardamos seus comentários! By.:.

8 comentários

  1. Oi Elis.
    Se tem uma coisa que eu adoro é romances de época e históricos, achei a propostas do livro bem interessante, adoro que ele reproduz algo da história da humanidade, mas que tem uma escrita mais contemporanea, enfim adorei essa capa esse vai para minha lista com toda certeza.
    Bjs.

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  2. a trama parece ser bem legal e super bem recomendada, mas não deu aquele "tchan" em mim, por agora eu não leria
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  3. Uau, 941 páginas não é para qualquer um! Acho que esse seria um livro que não leria, não faz parte dos gêneros que me agradam e acho que o número de páginas também me assustou um pouco, mesmo que ao longo de todo o livro a trama vá se interligando e nos mostrando que tudo faz parte de um todo, parece ser um livro realmente bom para quem já gosta de livros nesse estilo, mas quem sabe um dia eu acabe lendo ele.
    Beijos!

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  4. Apesar deste livro ter uma premissa original, e diferente de tudo que costumo ler de uma forma positiva, pois sempre me pego curiosa para conhecer de forma mais profunda a era contemporânea, suas vestimentas, cenário, e como viviam, e outro ponto que gostei bastante e por mesclar ficção, com realidade. No entanto pela quantidade de páginas que este livro possui, talvez este não seja o momento apropriado para ler esta obra, pois tenho certo receio de não me envolver a esta leitura.

    Participe do TOP COMENTARISTA de AGOSTO, para participar e concorrer Ao livro "Dois Mundos", o primeiro da série "Tesouros da Tribo de Dana" da escritora Simone O. Marques, publicado numa edição linda pela Butterfly Editora.
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  5. Adoro romances históricos, e acho que quando mais páginas mais apaixonada eu fico haha
    Acho uma leitura bem interessante que nos faz entrar em um mundo onde tudo era completamente diferente da nossa era atual.
    Não conhecia o livro, mas gostei bastante da indicação.

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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  6. Olá!
    Hum, amo ler...a quantidade de páginas sem problemas...mas o tema não me atraiu...não sei...não curto muito esse tipo de livro.
    Mas, o título me deixou bem curiosa...quem sabe um dia eu leia...mas por enquanto não...
    Um super bjo!

    Alê - Bordados e Crochê
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  7. Rosem!
    É preciso mesmo coragem para enfrentar um livro com mais de 900 páginas, mas para mim, não há surpresa alguma em ver que a forma como o Ken escreve, envolve o leitor e nem percebemos passar.
    Acredito que Os pilares da terra siga o mesmo rumo, mesmo tendo o tema principal que é a contrução da Catedral pelo "construto', várias outras tramas se desenvolvem no decorrer do enredo e todas fascinantes.
    Desejo uma semana de muita luz e paz!
    “Para cultivar a sabedoria, é preciso força interior. Sem crescimento interno, é difícil conquistar a autoconfiança e a coragem necessárias. Sem elas, nossa vida se complica. O impossível torna-se possível com a força de vontade.” (Dalai Lama)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  8. Nossa é bastante páginas mas se for muito bom vale a pena. Ainda não li nenhum livro do autor, mas tenho curiosidade em conhecer sua escrita. Achei interessante esse pois tem muitos assuntos e fortes e faz com que a leitura fluía ajuda muito na leitura e compreensão dos acontecimentos. Parece despertar muitos sentimentos nessa leitura, gostei por ter mulheres que estão a frente do seu tempo.

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