[Resenha] AIMÓ

AIMÓ - Reginaldo Prandi

AIMÓ - Reginaldo Prandi
Uma viagem pelo mundo dos orixás
Sinopse - Editora Seguinte - 2017 - 200 páginas


“Aimó” é um livro muito diferente, que conta a história de uma garota que morre e chega a Orum, o mundo que os Orixás habitam. O problema é que ela foi separada de sua família em terra, enviada para o Brasil para trabalhar como escrava e lá ela morreu. A garota não se lembra do seu nome, mas diz que é Aimó, que significa “esquecida” na língua de seu povo.

“A escravidão separa os nossos de suas famílias para sempre, os faz esquecer suas origens e seus orixás, e os obriga a louvar um outro deus. Nós sabemos que o deus deles é o nosso pai Olorum, com outra cor e outro nome, mas eles não sabem.”

Aimó precisa renascer, ou seja, voltar para o Aiê, local onde os humanos habitam, mas para isso ela precisa de um orixá. Como Aimó era muito jovem quando foi separada de seus pais, ela não sabe qual é seu orixá e não conhece as tradições do candomblé, por isso, Olorum ordena que a menina seja apresentada aos orixás, conheça suas histórias e escolha uma mãe para si, para finalmente poder renascer.

Os orixás que acompanham Aimó em sua jornada de conhecimento são Exu e Ifá, e é muito legal ver como a relação deles evolui durante a trama. Exu e Ifá percebem que Aimó é mais esperta do que pensavam e criam até mesmo um laço de amizade com ela. O melhor de cada uma das histórias de Ifá, é que seus personagens sempre estão em algum lugar diferente, é como fazer um tour pelo mundo dos orixás, onde Ifá é o guia. Gostei muito de todas as histórias que Ifá contou, mas achei Exu bem mais divertido, haha.

“Aimó” foi escrito pelo sociólogo brasileiro e professor da USP Reginaldo Prandi, que no final do livro fala sobre suas pesquisas e intenções ao escrever essa história. Lá também há um glossário de nomes e uma explicação sobre o oráculo de Ifá.

O período em que Aimó morre corresponde à época do Brasil Colonial, o tempo que ela passa no Orum não é determinado, e no final do livro vemos um Brasil contemporâneo. As melhores partes da leitura são os diálogos dos orixás, principalmente quando eles falam sobre o Brasil, a “nova terra” que está sendo explorada.

Essa história não foi exatamente como eu esperava, ela me surpreendeu positivamente e superou minhas expectativas! Esse é um livro muito legal para quem quer conhecer um pouco da cultura africana (que hoje em dia também faz parte do Brasil), gostei muito de aprender um pouco sobre como funciona a vida após a morte pelas tradições do Candomblé e fiquei com vontade de pesquisar ainda mais! Recomendo!

“O homem continuou com seu espírito eterno, mas de tempos em tempos é obrigado a morrer e devolver, assim, seu corpo à terra, à lama, para depois nascer de novo e ocupar outro corpo (...)”

Essa leitura foi uma cortesia da Editora Seguinte.
Aguardamos seus comentários! Beijos...

4 comentários

  1. que legal, Sam, ainda não conhecia, mas fiquei intrigada
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. SAm!
    Importante conhecer novas culturas religiosas e entender um pouco mais sobre elas e acoplado a um mundo místico e fantasioso criado pelo autor, deve ser um livro, além de hilário, muito interessante de ler.
    Um final de semana alegre e feliz!
    “Não há nada que faça um homem suspeitar tanto como o fato de saber pouco.” (Francis Bacon)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE OUTUBRO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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  3. Nossa, um tema bem diferente dos que temos hoje em dia.
    Não sei se conseguiria acompanhar a leitura sem ficar um pouco perdida pois não faz meu estilo.
    Mas daria uma chance sim, achei bem interessante e curiosa para saber mais sobre autor.

    beijos

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  4. Que historia peculiar, seria bacana ler para desmistificar um pouco da polemica que se faze em cima de certas crenças africanas, mesmo sendo uma ficção, deve mostrar um lado pouco conhecido, achei bacana.

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