[Resenha] Manuscritos Notáveis

Manuscritos Notáveis - Christopher De Hamel

Manuscritos Notáveis - Christopher De Hamel
Sinopse - Companhia da Letras - 2017 - 680 páginas


Considerado um dos maiores especialistas do mundo em manuscritos medievais, Christopher de Hamel, com a fluência de um bardo, nos conduz numa fascinante aventura aos santuários da atualidade que guardam “a sete chaves” esses preciosos “Manuscritos Notáveis”. A narrativa hipnótica nos cativa, as imagens afetam a sensorialidade e quando enfim passamos a desvendar os curiosos enigmas contidos nos fólios... Percebemos que atravessamos o espaço/tempo, sua paixão nos faz voltar ao passado.  

Manuscrito - escrito a mão. Uma viagem emocionante na história, filosofia, política e cultura do séc. VI ao séc. XVI, ricamente ilustrada, afinal uma imagem pode dizer mais que mil palavras.

A magnífica obra de Hamel, contempla 12 manuscritos e cada um deles com peculiaridades dignas de uma resenha por si, o que mesmo assim não faria jus ao conhecimento que emitem em sua integridade e intertextualidade. No que tange ao estudo dos evangelhos temos: “O Códex Amiatinus”, “Os evangelhos de Santo Agostinho”, “O Livro de Kells” – que ao modo irlandês mescla os quatro evangelhos com a cultura Celta. “O Beato de Morgan” traz o evangelho de João ricamente ilustrado com o apocalipse em cores primárias vívidas, assustadoras, e vincula-se às aventuras de Guglielmo Libre, o mais célebre ladrão de manuscritos da história e por ironia: uma autoridade neles.

Norteados por inúmeras especulações sobre suas origens, alguns dos manuscritos selecionados refletem o período da alta renascença em que as cópias dos antigos manuscritos eram tão ou até mais valiosas que os originais degastados de papiros, portanto alvo de inigualável cobiça.

Mas nem só de evangelhos viviam os monges da renascença, “O Arateia de Leiden” por exemplo é um tratado de astronomia do séc. IX, com 39 ilustrações combinando as constelações com suas representações mitológicas, tal qual observamos hoje nas estrelas. “O Semideus de Visconti” trata-se de um manual de estratégia de guerra para príncipes que pode ser visto como “ancestral” de “O Príncipe” de Maquiavel; E quem diria que o espetacular “Carmina Burana”, a mais antiga antologia romancesca medieval, foi descoberto em um quarto oculto de um distante monastério.   

Ao nos aprofundarmos nos segredos do passado percebemos que se os primeiros manuscritos eram de posse exclusivamente monástica, no que tange aos “Saltérios” [salmos ricamente iluminados] a obra nos conduz pela genealogia de reis e rainhas, ou seja, eram manuscritos pessoais; suas belíssimas iluminuras em ouro refletem a excentricidade da realeza que despendia fortunas para possuir seus próprios manuscritos, afinal seriam o primeiro contato de príncipes e princesas com a leitura, portanto tinham que ser belos e pregar a fé. Eis o elo da marcante religiosidade medieval, neste sentido temos o belíssimo “Saltério de Copenhague”, “As Horas de Joana de Navarra” e “As Horas de Spinola”.

Os apaixonados, como eu, pela ópera Carmina Burana no capítulo 8 podem viajar com Hamel para Munique e desvendar o manuscrito do séc. XIII de “Carmina Burana” que inspirou a obra de Carl Orff, contendo cerca de 350 poemas e canções entre as mais antigas em vernáculo sobreviventes, ou seja:

“… a mais bela e mais extensa antologia sobrevivente do verso e da canção medievais, e é um dos tesouros nacionais da Alemanha.”
  
Voltando à realeza, considerado um dos manuscritos mais valiosos de todos os tempos “As Horas de Joana de Navarra” tem muita história para contar: pertenceu a reis, a rainhas, a uma das Casas da alta aristocracia francesa, foi cobiçado pelo alto escalão nazista, sequestrado, resgatado, roubado, perdido, achado, disputado em leilões e alvo de uma luta judicial entre dois países. Onde ele está atualmente? Hamel conta tudo.

E o que dizer sobre “Chaucer de Hengwrt” um dos mais antigos manuscritos sobreviventes dos “Contos da Cantuária”, maior obra da literatura medieval inglesa, seria realmente Adam Pinkhurst o copista misterioso? Vamos investigar com Hamel.  

“O status de reis, os efeitos da guerra, o poder das guildas municipais, a política na Itália e a realidade do inverno nas fazendas dos Países Baixos se desenrolam ao longo desses doze livros originais.”

Enfim, a leitura é instigante, Hamel é um anfitrião envolvente que nos faz penetrar em uma dimensão repleta de misteriosas descobertas, amplia nosso conhecimento e nos faz refletir como tudo está ligado em um ouroboros infinito.

Fascinante.





 Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
Aguardamos seus comentários! By.:.

5 comentários

  1. Olá Rosem.
    Confesso que a leitura não é meu estilo, mas fico surpresa com o conteúdo histórico e conhecimento enorme que o livro traz, conheço bem pouco do que foi falado na resenha. Se tiver oportunidade irei ler, a edição está maravilhosa!
    Beijos

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  2. Olá! Não conhecia esse livro, gosto muito de história, essa resenha me deixou doida pra ter esse livro, preciso dele pra ontem.
    Bjs

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  3. Rosem eu ainda não conhecia, mas adorei a sua dica, anotadinha

    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/2018/04/uma-proposta-e-nada-mais.html

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  4. Rosem!
    Gosto demais desse tipo de leitura que nos traz à luz de manuscritos antigos com conhecimentos imensuráveis.
    Sem contar que ainda traz ilustrações.
    Anotado.
    “A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena.” (Augusto Cury)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA ABRIL – ANIVERSÁRIO DO BLOG: 5 livros + vários kits, 7 ganhadores, participem!
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  5. Oi, Rosem!
    Manuscritos Notáveis não faz o meu estilo de leitura, manuscritos não é um assunto que me interesse, mas pelas fotos dá pra ver que a Companhia das Letras caprichou na edição, hein?! Ilustrações belíssimas!
    Abraços.

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