[Resenha] Os portais da casa dos mortos

Os portais da casa dos mortos - Steven Erikson

Os portais da casa dos mortos - Steven Erikson
O livro Malazano dos Caídos - II
Sinopse - Editora Arqueiro - 2017 - 816 páginas


Steven Erikson é apaixonante, sua escrita envolvente e passional nos absorve e fascina. Portanto essa não é uma simples leitura, é uma experiência sensorial e metafísica, porque ao abrir a primeira página o leitor irá adentrar em uma das mais sangrentas rebeliões do Império Malazano sob o governo da imperatriz Lassen, descrita como Ano da Matança.

Prepare seu coração, esse é o Livro Malazano dos Caídos II.

Os acontecimentos em Darujhistan abriram uma brecha no governo da imperatriz, e a chegada do ano de Dryjhna traz a tona uma antiga profecia: A Deusa do furacão se erguerá no âmago do Deserto Sagrado de Raraku, os conhecedores desta revelação antiga sussurram que o apocalipse ampliado pela convergência de labirintos será conduzido pela Vidente Sha’ik, que por meio de magia ancestral e uma rebelião sangrenta libertará do Império as Sete cidades.

Tudo que você já imaginou que seria possível ser criado numa fantasia é pouco diante do que ocorre nesta saga, quantas vezes me peguei dizendo “não acredito”, tomando sustos, travando os dentes, às vezes largava o livro e ia dar uma volta para desacelerar, uau! São poucos os autores que nos pegam assim, hein? Emoções a flor da pele são desencadeadas pelo realismo brutal de batalhas selvagens, como se o relato preciso nos tocasse o DNA. Não sou dada a sentimentalismo, mas Erikson conseguiu me tocar, principalmente porque é um arqueólogo quem nos fala e sabemos quantas culturas foram dizimadas neste planeta. E esse é um tema que ele aborda com maestria.

A trama a princípio divide-se em quatro núcleos: Felisin Paran [filha mais nova da Casa Paran], Heboric [historiador exilado] e Baudin [cuja identidade é um mistério] que são enviados como escravos para Corpo de Cranio, campo minerador de otataral; Kalam, Apsalar, violinista [três soldados dos queimadores de pontes] e Crokus que partiram de Darujhistan afim de levar Apsalar de volta a seu pai [mas Kalam e violinista tem intenções ocultas quanto ao verdadeiro motivo que os move]; Icarium [mestiço de jaghut] e Mappo [Trell] e sua inacreditável lealdade mútua; E a impressionante jornada de Duiker [ex-soldado e historiador imperial] que tem como foco acompanhar o auge e declínio do Wickano Coltaine, Punho do sétimo exército, ou seja, como historiador fará o relato duro e cru do que foi a rebelião e a queda das seis cidades.

Esses são os núcleos-base, milhares de personagens pululam deles: metamorfos, deuses ascendentes, magos, feiticeiros, bruxos[as], soldados, selvagens, assassinos, piratas, nobres, sacerdotes, xamãs, raças ancestrais [humanos e não humanos]. Dos quatro núcleos dois irão convergir num mesmo objetivo e dois se confrontarão, numa entre as inúmeras reviravoltas.

Erikson descreve a guerra tal qual ela é: insana, violenta, cruel, a cada batalha os refugiados vão perdendo sua humanidade, as emoções vão embotando-se, lealdades são esquecidas, traições são a moeda de troca da sobrevivência, Duiker é a sua voz e quanto mais nos afeiçoamos a ele mais suas descrições e considerações nos tocam, é aos olhos dele que Coltaine torna-se um gigante aos nossos olhos, um guerreiro como nunca existiu, o senhor dos corvos, protagonista de uma das cenas mais icônicas, inquietantes e inesquecíveis deste livro.

“ - Uma vida dada, por uma vida tomada.”

Os Labirintos, o silanda, os D’ivers no Deserto de Raraku, Mappo e Icarium, Tremorlor e  as raízes da Casa de Azath, a corrente de cães, Torto e Barata, Lista, a travessia do Vathar, Apto, Iskaral Pust e sua torre entremundos, Sormo e Nether, o terrível Gryllen, a chegada em Aren, Vesgo, Irp, Rudd e uma jovem viúva que foi presenteada pelos corvos... são memórias inesquecíveis de risos, lágrimas, sangue, suor, cicatrizes, lembranças, amizade, lealdade, coragem, paixão, vida, morte, vida.

“ A morte há de ser minha ponte.”
          provérbio toblakai

Arrebatador.

Série O livro Malazano dos Caídos


1. Gardens of the Moon (1999) - Jardins da Lua (2017)
2. Deadhouse Gates (2000) - Os portais da casa dos mortos (2018)
3. Memories of Ice (2001)*
4. House of Chains (2002)*
5. Midnight Tides (2004)*
6. The Bonehunters (2006)*
7. Reaper's Gale (2007)*
8. Toll the Hounds (2008)*
9. Dust of Dreams (2009)*
10. The Crippled God (2011)*
*ainda não publicados no Brasil


Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro.
Aguardamos seus comentários! By.:.

5 comentários

  1. de cara não é uma proposta com a qual eu tenha afinidade

    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Rosem!
    Não li o anterior, mas fico feliz que foram inseridos novos núcleos, trazendo vários acontecimentos inéditos e dando mais dinamismo ao livro.
    Amo livros com mapas e glossários, ficam bem mais fáceis de nos ambientarmos.
    “Sou uma só. (...) Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo.” (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  3. Não gosto muito de livros com temas assim, mas para quem aprecia me parece arrebatadora a estória.

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  4. Tai ai, um mundo q nao me chama atenção e livros, e só me chama em filmes mas pouco. Nao li nada com guerras (pelo menos nao me lembro), mas a sensação q tenho é q fica muito cansativo e isso me enjoaria muito facil e me deixaria de ressaca, mas para quem gosta, espero q aproveite a leitura se tiverem a oportunidade de lê-lo.

    BJss

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  5. Oii
    Eu confesso que tenho bastante preguiça de ler série tão grandes, e com livros enormes assim. Mas fiquei super interessada nesse livro. Eu gosto bastante de fantasia, e adorei saber que o autor conseguiu te surpreender bastante com essa história. Eu não conhecia esse autor, mas ele parece ser ótimo!! Fiquei com vontade de ler essa série =)

    Bjss ^^

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