[Resenha] Assassinos da lua das flores

Assassinos da lua das flores - David Grann

Assassinos da lua das flores - David Grann
Petróleo, morte e a criação do FBI
Sinopse - Companhia da Letras - 2018 - 392 páginas


Misterioso, inquietante, envolvente e extraordinário, “Assassinos da lua das flores” é tudo isso mesmo. A fascinante narrativa de David Grann, fonte de uma extensa pesquisa sobre a primeira grande investigação do FBI, desvenda os assassinatos em série dos membros milionários da tribo indígena Osage e traz à cena um de seus agentes mais competentes: o antigo Ranger texano Tom White.

“...um manto sombrio de mistério e medo […] cobria os vales repletos de petróleo nas montanhas dos osages”.

Ambientado em 1920, Oklahoma, último reduto do velho oeste. No Condado de Osage borbulham imensos poços de petróleo, da noite para o dia alguns membros da tribo osage ficam milionários, possuem carros de luxo, mansões, seus filhos passam a estudar na Europa, entrementes, atraem para si inveja, preconceito e cobiça. Rotulando o comportamento dos osages de excêntrico e pródigo, o Estado [por intermédio de alguns representantes de Oklahoma] os considera incapazes de gerir tamanha riqueza e cada família deve nomear um “americano branco” como gestor de sua fortuna para que a mesma não seja bloqueada. Então os osages começam a ser assassinados.  

“A pergunta que se impõe na terra osage é: “ Quem será o próximo”?

A Narrativa em 3ª pessoa nos insere na história da família de Mollie Burkhart frente ao desaparecimento de sua irmã Anna Brown e a possível ligação com dois assassinatos subsequentes ao seu sumiço. Os misteriosos crimes que assolam o Condado nos fazem mergulhar nas investigações, que ficam cada vez mais intrincadas, com muitos suspeitos, convenientes álibis que quando desmascarados levam a pistas ainda mais controversas. Assim o nó vai se formando, aliás, os vários nós em nossa cabeça, e no decorrer o que descobrimos está além de nossa vã filosofia.

Os fatos ocorreram, as personagens são reais, podemos ver suas expressões nas fotos que intercalam a trama macabra e vil que Grann desdobra em camadas, história dentro da história, detalhes sórdidos, texturas, o dito e o não dito. O perturbador é que a cada imagem saímos da imersão e nos damos conta: isso não é ficção, é sangue real, são pessoas reais.

Quando Tom White entra em cena muitos enigmas são solucionados, pactos são desvendados, traições vêm à tona e conseguimos um pouco de justiça, mas só um pouco viu. O que ocorre é que tem pessoas extremamente influentes envolvidas numa conspiração que agrabge território, petróleo, poder, política e sem dúvida foi a origem de inexplicáveis fortunas. Com um tino investigativo podemos pontuar alguns ancestrais de magnatas da atualidade e o “acaso fortuito” em negócios prósperos. Prosperidade regada a sangue. Tenso.

Enfim, o livro não é um romance, mas tem toda sua estrutura: uma história densa, contada com maestria e sensibilidade ímpar. Num capitulo final Grann nos relata, agora como repórter, sobre seus primeiros contatos com a tribo asage, o acesso a documentação do caso por meio dos descendentes de Mollie e algumas curiosidades sobre a investigação envolvendo Tom White e Hoover, o chefão do FBI.

Quem aprecia mistério e investigação vai devorar essa leitura.
Excelente!       

Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
Aguardamos seus comentários! By.:.

Um comentário

  1. Puxa, como não conhecia o livro estou aqui encantada com tudo que li acima. Amo histórias baseadas em fatos reais, ainda mais quando há este registro em fotos ou imagens!
    Adorei!!!
    E com certeza, este tipo de investigação, sempre rendeu ótimos cenários!
    Muito bem ambientado.
    E vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

    ResponderExcluir

Esse espaço também é seu!
Vou adorar saber a sua opinião passional :)
Seu comentário será publicado em no máximo 24 horas.
Beijos!