[Resenha] A incendiária

A incendiária - Stephen King

A incendiária - Stephen King
Sinopse - Editora Suma - 2018 - 450 páginas


Em “A incendiária” o mestre King usa mais uma vez sua alquimia do sucesso: uma personagem mirim em confronto com as forças do mal. Retornando à temática de poderes extrassensoriais, que lhe abriram o caminho para a fama com “ Carrie – A estranha”, ele nos conta a jornada de Charlie, uma garotinha com poderes psíquicos que tenta escapar do poder governamental que a busca a fim de torná-la uma arma militar.

Se a temática é “modinha” na atualidade, saibam que King escreveu “A incendiária” na década de setenta, então a obra é referência para tudo que gira em torno do tema, como é o caso mais específico de “Strange Thinks”, a personagem “Eleven” espelha “Charlie” em todos os sentidos, aliás, os roteiristas deixam bem claro que sua “inspiração” vem da obra de King. Ao comparar a obra, a colagem fica nítida e podemos deduzir algumas teorias para a série queridinha dos “teens”.

Voltando ao original, a narrativa é pura ação e aventura, desde o início o mistério predominante nos faz devorar as páginas, Andy McGee e sua filha de 8 anos Charlie estão fugindo de homens armados e queremos saber o motivo, assim corremos com eles. A não-linearidade da narrativa empregada com habilidade nos faz dar saltos na história e aos poucos conhecer como pai e filha entraram no caminho que parece sem saída, bem como, o que houve com Vicky McGee, e principalmente entender como tudo começou em um romance que jamais deveria ter frutificado.

Isso nos leva a uma história de amor bela e trágica, obscuros projetos militares envolvendo drogas psicodélicas, psicologia aplicada ao estudo de psiquismo e uso de poder mental como arma militar. Enfim uma mistura explosiva que só poderia resultar em uma teoria da conspiração aterradora sobre como serão travadas as guerras do futuro.

Os McGee são cativantes, entretanto perigosos, pois não sabem controlar seus poderes psíquicos, e tão pouco seus caçadores da “Oficina” sabem como controlar o experimento que foi patrocinado por sua agência, logo o dano é um rastro de mortes e muito sangue, o usual mata-mata dos enredos de ação vinculados a jogos de conspiração.

A narrativa espelha o ponto de vista tanto dos antagonistas quanto dos protagonistas, entre os antagonistas quem rouba a cena por sua sagacidade, determinismo e frieza cruel é o índio John Rainbird que desenvolve uma obsessão insana por Charlie, aproveitando-se de sua vulnerabilidade e inocência ele a seduzirá para sua própria causa, ignorando os riscos de uma personalidade precoce sob tensão. Rainbird verá o feitiço virar contra o feiticeiro em um clímax além da imaginação.

“... ela teve a prática necessária para refinar um poder bruto e massacrante, transformando-o em uma coisa que ela conseguia lançar com precisão mortal, como um artista de circo arremessando uma faca.”

King sempre foi uma mente além de seu tempo e a grande metáfora da trama é a puberdade feminina e os poderes que a transição menina/mulher carrega consigo [“a coisa ruim”], a relação desse poder com o fogo e a manipulação masculina é brilhante, Charlie aos poucos vai aprendendo a usar suas armas, Rainbird é sua conexão como figura masculina/animus, e a temática se reflete no autêntico empoderamento feminino, e vemos sob o ponto de vista da protagonista como isso pode causar dor/prazer. Forças indomadas que necessitam de habilidade para serem usadas.

“... os testes foram a lição perfeita. Mostraram para ela sem sombra de dúvida quem mandava ali: ela.”

Enfim um enredo psicologicamente repleto de capas só podia nos conduzir a um final poderoso. Coisa do insuperável King.

Excelente Leitura.

Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
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