[Resenha] Estrelas da Sorte

Estrelas da Sorte - Nora Roberts

Estrelas da Sorte - Nora Roberts
Trilogia Os Guardiões - Livro 01
Sinopse - Editora Arqueiro - 2018 - 288 páginas


Num tempo e espaço muito distantes, três deusas criaram um presente mágico para uma rainha especial: três estrelas, uma de gelo, uma de fogo e outra de água, onde depositaram seus desejos de luz. Mas uma quarta deusa, a portadora da escuridão, lançou sobre as estrelas da sorte uma maldição:

“... Um dia elas cairão, as estrelas de fogo, gelo e água. Cairão de céu com todo o seu poder, seus desejos, a luz e a escuridão. – Rindo, Nerezza ergueu os braços como se para arrancar as estrelas do céu. – E quando caírem em minhas mãos, a lua morrerá e a escuridão vencerá.”

Para evitar que no futuro o poder das estrelas acabasse em mãos erradas, as deusas irmãs lançaram um novo feitiço, cada qual para a estrela que criou, determinando onde e quando elas cairiam, assegurando que pessoas adequadas fossem “convocadas” a recuperar as estrelas no momento certo.

É a partir dessa mística que Nora Roberts desenvolve a sua “Trilogia Os Guardiões”, cujo primeiro volume – “Estrelas da Sorte” – nos apresenta a lenda das estrelas e os seis guardiões selecionados pelas deusas irmãs para encontrar e proteger as poderosas estrelas caídas.

A história é contada em terceira pessoa sob o ponto de vista de Sasha Riggs, uma artista plástica que vive isolada em sua casinha nas montanhas da Carolina do Norte, pintando quadros maravilhosos – e às vezes proféticos – de paisagens que viu apenas em sonhos. Ultimamente seus sonhos vem lhe mostrando a visão de outras cinco pessoas, que junto com ela procuram alguma coisa. Esses sonhos são como um chamado irrecusável, e por conta disso Sasha parte para Grécia, em busca do seu destino.

Em Corfu, ela encontra Riley Gwin, uma arqueóloga que busca as estrelas da sorte, Bran Killian, um mágico que reconhece como o homem dos seus sonhos (literalmente) e Sawyer King, o viajante. Eles serão encontrados pela linda e radiante Annika, e pelo misterioso Doyle McCleary. A partir daí, os seis unirão forças para procurar as estrelas e também se defenderem de Nerezza, que mandará suas criaturas escuras para atrapalhar a busca às estrelas, ou tomá-las à força, caso sejam localizadas.

“Estrelas da Sorte” é uma aventura romântica cheia de fantasia, muito gostosa de acompanhar. Além do desenrolar do romance entre Sasha e Bran, que começou nos sonhos da artista e se mostrou totalmente real quando os dois se conheceram, observamos também a evolução do relacionamento do grupo, que de estranhos muito diferentes entre si, passam a amigos e companheiros de treinos e batalhas. É muito legal descobrir os “poderes” e peculiaridades de cada personagem e como esses dons passam a ser usados em benefício do grupo.

É possível perceber que outros dois casais provavelmente se formarão no desenrolar da trilogia, se bem conheço o raciocínio da Nora, já adivinhei quem vai ficar com quem rsrsrs... E esse é o único ponto negativo da trama, a previsibilidade. Sendo fã assídua da autora, e tendo lido dezenas de seus livros, reconheço muitas semelhanças dessa história com outras trilogias já lançadas, e isso faz com que eu “meio que saiba” o que vai acontecer, mesmo que os detalhes ainda me encantem. Mas para mim, a narrativa da Nora Roberts é tão deliciosa que mais uma vez me senti cativada, torcendo para que tudo desse certo, suspirando a cada beijo e por todos que ainda virão.

A Editora Arqueiro liberou o sorteio de um exemplar do livro, participem:

 Sorteio "Estrelas da Sorte"

Trilogia Os Guardiões


2. Baía dos Suspiros (01/07/2018)
3. Ilha de Vidro (01/11/2018)


Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro
Aguardamos seus comentários! Beijos...

[Resenha] Floresta escura

Floresta escura - Nicole Krauss

Floresta escura - Nicole Krauss
Sinopse - Companhia da Letras - 2018 - 304 páginas


Nicole Krauss nos surpreende sobretudo por sua escrita “a flor da pele”, intimista e passional. Sua “Floresta escura” nos faz imaginar o paradoxo de tentar conter essa passionalidade em uma taça de cristal. Portanto o mistério que envolve o desaparecimento Jules Epstein é apenas o estímulo para tratar de temas complexos como ancestralidade, autoconhecimento, misticismo, metafísica e fragilidade humana. Eis a dança da individuação.

Jules e Nicole, anima e animus?

A trama ambientada em Israel envolve duas personagens: Jules Epstein, um advogado de meia idade que aposentou-se prematuramente após seu divórcio e Nicole [homônimo da autora], que é uma jovem romancista em crise conjugal e criativa. Este é só o início de muitas similaridades e espelhamentos, ambos passarão por uma jornada transformadora, mística, metafísica, “uma noite escura da alma”, deste modo a ação das personagens é sobretudo psicológica e neste sentido de intensidade absoluta.

Ambos compactuam da mesma sensação de vazio emocional, de perda do sentido da vida. Desconhecidos de si mesmos voltam às suas origens judaicas em Tel Aviv na busca do elo perdido.

“... algo familiar e antigo que a mente tinha bloqueado pelo processo de repressão. Algo que deveria permanecer oculto mas veio à luz.”

Duas narrativas distintas se convergem, a jornada de Jules em 3ª pessoa a partir de seu desaparecimento no deserto tem um tom investigativo/detetivesco, misterioso, instigante, aos poucos sua personalidade impressionante virá à tona e o reflexo de sua força se fricciona na metafísica em 1ª pessoa de Nicole, que em Tel Aviv adquire um tom aventuresco/conspiratório de espionagem que gira em torno da figura sinistra/hilária de Eliezer Friedman, um “possível” agente secreto do Mossad, que diz conhecer segredos obscuros sobre o passado de Franz Kafka.

Os protagonistas terão experiências transformadoras em Israel, Jules num sentido espiritual e epifânico, tendo um carismático rabino como guia; Nicole em sincronicidade com seu autor favorito entra num processo kafkiano autodestrutivo ao tentar evitar a ruptura do ego. Fantástico.

“E agora, estirada de costas sob as estrelas, me ocorre que era isso que tinha estado por trás de toda minha fúria grega: o momento abrupto em que a resistência dá lugar a um amor quase chocante.”      

“Floresta escura” é um daqueles livros que você só larga quando percebe que acabou, e que será alvo de diversas releituras.

Inteligente, intenso, transformador.
Perfeito!

Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
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[Resenha] Manuscritos Notáveis

Manuscritos Notáveis - Christopher De Hamel

Manuscritos Notáveis - Christopher De Hamel
Sinopse - Companhia da Letras - 2017 - 680 páginas


Considerado um dos maiores especialistas do mundo em manuscritos medievais, Christopher de Hamel, com a fluência de um bardo, nos conduz numa fascinante aventura aos santuários da atualidade que guardam “a sete chaves” esses preciosos “Manuscritos Notáveis”. A narrativa hipnótica nos cativa, as imagens afetam a sensorialidade e quando enfim passamos a desvendar os curiosos enigmas contidos nos fólios... Percebemos que atravessamos o espaço/tempo, sua paixão nos faz voltar ao passado.  

Manuscrito - escrito a mão. Uma viagem emocionante na história, filosofia, política e cultura do séc. VI ao séc. XVI, ricamente ilustrada, afinal uma imagem pode dizer mais que mil palavras.

A magnífica obra de Hamel, contempla 12 manuscritos e cada um deles com peculiaridades dignas de uma resenha por si, o que mesmo assim não faria jus ao conhecimento que emitem em sua integridade e intertextualidade. No que tange ao estudo dos evangelhos temos: “O Códex Amiatinus”, “Os evangelhos de Santo Agostinho”, “O Livro de Kells” – que ao modo irlandês mescla os quatro evangelhos com a cultura Celta. “O Beato de Morgan” traz o evangelho de João ricamente ilustrado com o apocalipse em cores primárias vívidas, assustadoras, e vincula-se às aventuras de Guglielmo Libre, o mais célebre ladrão de manuscritos da história e por ironia: uma autoridade neles.

Norteados por inúmeras especulações sobre suas origens, alguns dos manuscritos selecionados refletem o período da alta renascença em que as cópias dos antigos manuscritos eram tão ou até mais valiosas que os originais degastados de papiros, portanto alvo de inigualável cobiça.

Mas nem só de evangelhos viviam os monges da renascença, “O Arateia de Leiden” por exemplo é um tratado de astronomia do séc. IX, com 39 ilustrações combinando as constelações com suas representações mitológicas, tal qual observamos hoje nas estrelas. “O Semideus de Visconti” trata-se de um manual de estratégia de guerra para príncipes que pode ser visto como “ancestral” de “O Príncipe” de Maquiavel; E quem diria que o espetacular “Carmina Burana”, a mais antiga antologia romancesca medieval, foi descoberto em um quarto oculto de um distante monastério.   

Ao nos aprofundarmos nos segredos do passado percebemos que se os primeiros manuscritos eram de posse exclusivamente monástica, no que tange aos “Saltérios” [salmos ricamente iluminados] a obra nos conduz pela genealogia de reis e rainhas, ou seja, eram manuscritos pessoais; suas belíssimas iluminuras em ouro refletem a excentricidade da realeza que despendia fortunas para possuir seus próprios manuscritos, afinal seriam o primeiro contato de príncipes e princesas com a leitura, portanto tinham que ser belos e pregar a fé. Eis o elo da marcante religiosidade medieval, neste sentido temos o belíssimo “Saltério de Copenhague”, “As Horas de Joana de Navarra” e “As Horas de Spinola”.

Os apaixonados, como eu, pela ópera Carmina Burana no capítulo 8 podem viajar com Hamel para Munique e desvendar o manuscrito do séc. XIII de “Carmina Burana” que inspirou a obra de Carl Orff, contendo cerca de 350 poemas e canções entre as mais antigas em vernáculo sobreviventes, ou seja:

“… a mais bela e mais extensa antologia sobrevivente do verso e da canção medievais, e é um dos tesouros nacionais da Alemanha.”
  
Voltando à realeza, considerado um dos manuscritos mais valiosos de todos os tempos “As Horas de Joana de Navarra” tem muita história para contar: pertenceu a reis, a rainhas, a uma das Casas da alta aristocracia francesa, foi cobiçado pelo alto escalão nazista, sequestrado, resgatado, roubado, perdido, achado, disputado em leilões e alvo de uma luta judicial entre dois países. Onde ele está atualmente? Hamel conta tudo.

E o que dizer sobre “Chaucer de Hengwrt” um dos mais antigos manuscritos sobreviventes dos “Contos da Cantuária”, maior obra da literatura medieval inglesa, seria realmente Adam Pinkhurst o copista misterioso? Vamos investigar com Hamel.  

“O status de reis, os efeitos da guerra, o poder das guildas municipais, a política na Itália e a realidade do inverno nas fazendas dos Países Baixos se desenrolam ao longo desses doze livros originais.”

Enfim, a leitura é instigante, Hamel é um anfitrião envolvente que nos faz penetrar em uma dimensão repleta de misteriosas descobertas, amplia nosso conhecimento e nos faz refletir como tudo está ligado em um ouroboros infinito.

Fascinante.





 Essa leitura foi uma cortesia da Companhia das Letras.
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Correio Passional #78

Olá Amigos Passionais! Estavam com saudades do nosso "correio"? Hoje mostraremos os livros que recebemos em janeiro, fevereiro e março deste ano, juntamente com os exemplares e mimos ganhos durante os encontros de livreiros e blogueiros das nossas parceiras Companhia das Letras e Editora Arqueiro. Tem muita coisa linda e ótimas leituras pela frente, confiram:

Grupo Companhia das Letras


Kit recebido no encontro com a Companhia:



Editora Arqueiro





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[Resenha] Um sedutor sem coração

Um sedutor sem coração - Lisa Kleypas

Um sedutor sem coração - Lisa Kleypas
Série Os Ravenels - Livro 01
Sinopse - Editora Arqueiro - 2018 - 320 páginas


Devon Ravenel recebeu um título de nobreza após a morte de seu primo Theo, o que não lhe entusiasmou, já que a propriedade Eversby herdada com o título não gera renda alguma e sua manutenção provavelmente devorará o restante das suas economias e as de seu irmão West.

O problema é que, juntamente com a propriedade, Devon “herdou” a viúva do primo. Ele pretendia despachar Kathleen para longe na primeira oportunidade, mas isso foi antes de olhar pela primeira vez para seus olhos cor de âmbar e testemunhar a vulnerabilidade quer havia por trás da fachada contida da dama. Como se não bastasse, o primo Theo também deixou três irmãs solteiras sem dote e em idade de debutar: Helen, Cassandra e Pandora.

Sem ter como dar as costas às primas, à viúva do primo, aos criados da propriedade e aos arrendatários que agora eram sua responsabilidade, Devon desiste da sua ideia inicial de vender tudo e resolve assumir plenamente o papel de conde de Trenear. Dessa forma, faz um arranjo com Kathleen, onde ela permanecerá em Eversby como acompanhante de Helen, Cassandra e Pandora, orientando-as para que possam ser apresentadas à sociedade, enquanto Devon retornará a Londres para organizar as questões financeiras do condado. A essa altura Devon já está totalmente envolvido por Kathleen, no entanto sabe que ela permanece de luto e ainda não está preparada para um novo relacionamento. Mas por quanto tempo Devon conseguirá manter-se afastado?

“Um sedutor sem coração” é o primeiro volume da série “Os Ravenels”, da minha querida Lisa Kleypas, cujos livros sempre me encantam. Essa é uma história super gostosa de acompanhar, porque além do desenrolar do romance entre Devon e Kathleen, conhecemos também West, Helen, Pandora e Cassandra, temos um vislumbre de seus sonhos e seus anseios, que acredito serão explorados nos próximos volumes da série, pois cada livro traz um “Ravenel” diferente como personagem principal, portanto os personagens “secundários” são tão cativantes quanto os protagonistas.

A transformação de Devon de frio e egoísta a um ser humano atencioso e altruísta foi bem convincente, na verdade não acredito que ele fosse um sedutor sem coração, mas alguém que não tinha tido a oportunidade de demonstrar as qualidades que tinha dentro de si. E ver seu irmão West modificar-se de um bêbado fanfarrão a um homem interessado em ajudar a administrar as terras e cuidar da família foi admirável.

Kathleen é uma figura feminina marcante, cuja juventude ou inexperiência não a impediram de se fazer ouvir e ser respeitada. Uma jovem viúva que tomou para si a responsabilidade pelas cunhadas que o marido deixou desassistidas, assumindo um papel materno para as irmãs que, na verdade, eram apenas um pouco mais jovens que ela. Uma mulher cuja influência positiva mudou para melhor a atitude de todos ao seu redor, daquelas que a gente torce para que encontre a felicidade.

As gêmeas Cassandra e Pandora são espevitadas, cheias de vida, praticamente selvagens e estou bem curiosa pra saber como elas se sairão em sua primeira temporada em Londres. Já Helen possui a personalidade totalmente diferente das irmãs, é pacata, tímida e gentil, no entanto viveu uma situação complicada com um determinado cavalheiro que me deixou bem curiosa para saber como esse provável relacionamento irá desenrolar-se no futuro.

Essa leitura foi deliciosa, todos os Ravenels são interessantes, peculiares e envolventes, estou bastante ansiosa para conferir o restante da série. Adorei e recomendo!

Série Os Ravenels


1. Um sedutor sem coração (05/02/2018)
2. Uma noiva para Winterborne (01/07/2018)
3. Um acordo pecaminoso (01/01/2019)
4. Um estranho irresistível (01/07/2019)
5. Devil's Daughter (2019 nos EUA)


Essa leitura foi uma cortesia da Editora Arqueiro
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